Brasília - Depois do impasse comercial causado pela decisão da China de recusar cargas de soja misturada com sementes, o governo decidiu ontem estabelecer regras rígidas para os carregamentos do produto. As normas valem também para o mercado interno. ''As regras restringem muito mais o controle'', afirmou o diretor do Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura, Girabis Evangelista Ramos.
A tolerância para a semente tratada, pivô da polêmica com os chineses, será zero. Para impurezas e matérias estranhas, o nível aceitável será de 1%, ao mesmo tempo em que não será tolerada a presença de insetos vivos nos carregamentos.
Segundo o diretor, os termos da instrução normativa serão analisados pelo departamento jurídico do Ministério da Agricultura, mas a expectativa é de publicação até sexta-feira. Ele explicou que, até agora, os índices aceitáveis eram estabelecidos em contratos firmados entre os fornecedores e os compradores da soja. ''Quando começamos a trabalhar com soja, alguns índices de impurezas chegavam a 9%. Para uma carga de 100 mil toneladas, 9 mil toneladas eram de pedra, areia, turrão e terra'', afirmou.
Além de preparar novas regras, o Ministério da Agricultura convocou a Brasília representantes de cooperativas, exportadores e produtores para discutir o impasse comercial com a China. A mistura de grãos com sementes tratadas com fungicidas levou o governo da China a suspender as importações de soja brasileira fornecida por seis tradings: Noble Grain, Cargill Agrícola, Irmãos Trevisan, Bianchini, ADM e Loius Dreyfus.
A soja, junto com o minério de ferro, é um dos principais produtos de exportação do Brasil para a China. O País vende entre 6 milhões e 7 milhões de toneladas de soja para os chineses por ano. Na reunião, os técnicos do governo vão alertar a iniciativa privada para a necessidade de evitar a mistura de soja em grão com sementes tratadas. ''O setor privado precisa estar consciente de que a mistura pode impedir as exportações de soja para nossos principais mercados'', alertou o assessor para assuntos internacionais do Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura, Gilson Westin Cosenza. Ele afirmou, no entanto, que a ''tolerância zero'' não terá resultados imediatos. ''Grande quantidade de semente de soja foi desovada nos lotes de grãos. Nos lotes que estão sendo comercializados agora, não há o que fazer.''
A Embaixada do México no Brasil desmentiu rumores de que o governo mexicano teria suspendido as importações de soja fornecida pelo Brasil. Aliados a outros fatores, os boatos de suspensão elevaram os preços futuros da soja na bolsa de Chicago no pregão de ontem e hoje. Fonte da embaixada em Brasília conversou, por telefone, com técnicos do Ministério da Agricultura do México e esses interlocutores desmentiram a suspensão.

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