A mistura de álcool anidro na gasolina deverá passar de 20% para 22% a partir do próximo dia 31, conforme decreto presidencial a ser publicado no Diário Oficial da União. A proposta foi aprovada pelo Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (CIMA), e já foi referendada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) conforme comunicado enviado ontem pelo Ministério da Fazenda ao Ministério da Agricultura.
O Confaz aprovou o aumento depois de constatar que a mudança no cálculo não interferirá na arrecadação tributária dos Estados. A estimativa do governo é a de que o aumento da mistura em dois pontos porcentuais na gasolina eleve o consumo de anidro em mais 500 milhões de litros ano.
A produção total de álcool foi de 10,4 bilhões de litros no ano passado, sendo 5,6 bilhões de litros de anidro e 4,9 bilhões de hidratado. Para este ano, com uma colheita de cana-de-açúcar para a região Centro-Sul estimada em 274 milhões de toneladas, 10% acima da safra anterior, deve haver um acréscimo de um bilhão de litros na oferta de álcool. Mesmo com essa recuperação, no entanto, o resultado ainda será inferior a produção de 1999/2000, que foi de 13 bilhões de litros de álcool, no total.
O governo também está analisando a possibilidade de recompor seus estoques oficiais de álcool, que hoje estão em torno de 300 milhões de litros. A idéia é formar um estoque de cerca de um bilhão de litros.
Com esse volume, o governo estaria preparado para enfrentar qualquer eventual especulação nos preços até o final do ano e início do próximo, quando começa a colheita do Centro-Sul.
A intenção inicial do governo era de que o porcentual de mistura de anidro na gasolina retornasse aos 24% que vigoraram até 19 de agosto do ano passado. Com receio de acabar pressionando os preços, tanto do álcool como do açúcar, o CIMA acabou optando por uma opção de cautela.
A preocupação do governo, explica um técnico do setor, se justifica: ao sinalizar por maior demanda de cana-de-açúcar para suprir o abastecimento de álcool, estará indicando que os preços do açúcar no mercado internacional poderão subir. Com isso, os produtores poderão se interessar mais pelo açúcar que pelo álcool, o que poderá levar a uma situação de escassez de álcool semelhante à vivida no ano passado.

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