Mistura de álcool cai de 24% para 22%
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quarta-feira, 02 de agosto de 2000
Gecy Belmonte Agência Estado 
A mistura de álcool anidro na gasolina será reduzida de 24% para 22%, anunciou ontem o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes. A redução de dois pontos percentuais, segundo ele, foi aprovada pelo Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima), órgão formado pelos ministérios da Agricultura, Fazenda, Desenvolvimento e Minas e Energia, que delibera sobre a política do setor sucroalcooleiro. O objetivo é economizar 450 milhões de litros de álcool no ano.
O decreto revogando o anterior (número 2.607), que elevou o percentual da mistura de 22% para 24% em 15 de junho de 1998, deverá ser publicado hoje no Diário Oficial. A redução de anidro na gasolina é a primeira medida tomada pelas autoridades para combater a elevação dos preços do álcool vendido ao consumidor. O preço nos postos aumentou de forma significativa nos últimos dias, especialmente em São Paulo.
Pratini de Moraes disse que a garantia do abastecimento interno de álcool é prioridade absoluta e que, para isso, o governo poderá reduzir as exportações de açúcar. Ele disse que os técnicos já estão avaliando a taxação das exportações do produto se for necessária, para que maior parte da produção de cana-de-açúcar seja destinada à fabricação de álcool. O governo não permitirá aumentos exagerados nos preços do álcool, e dispomos de instrumentos para evitar isso, afirmou.
Pratini de Moraes disse que, por enquanto, o governo não está pensando em leiloar álcool dos seus estoques oficiais, estimados em 800 milhões de litros. Mas informou que os leilões que foram realizados de dezembro do ano passado a março deste ano, com uma oferta de 420 milhões de litros, poderão ser retomados quando o governo julgar oportuno. Com relação à importação do produto, Pratini disse que isso, no momento, não passa de mera especulação.
O ministro da Agricultura explicou que a volta da mistura de anidro na gasolina aos padrões vigentes até 1997 foi causada pela quebra na safra de cana-de-açúcar na região Centro-Sul, que responde por quase 90% do abastecimento interno. A redução da safra deve ficar acima de 20% este ano, em razão da estiagem e das geadas. A quebra na safra também provocará a diminuição das exportações de açúcar, que foram de 13 milhões de toneladas no ano passado e que deverão ficar em torno de 5,5 milhões de toneladas este ano.
Apesar dessa redução nas exportações, o ministro disse que o governo poderá limitar as vendas externas de açúcar. Estamos vivendo uma situação de emergência, salientou, observando que ainda é muito cedo para avaliar o impacto que uma medida dessa natureza teria no resultado da balança comercial do País. A expectativa do governo, no entanto, é de que, com a alta nos preços do mercado interno, o produtor prefira transformar a cana em álcool do que em açúcar para exportar.


