Brasília - O governo oficializou ontem a redução de 25% para 20% a concentração de álcool na mistura de gasolina comercializada no país. A medida entrará em vigor a partir de 1º de fevereiro, e terá validade de 90 dias.
Com a medida, o governo estima uma economia de 100 milhões de litros de etanol por mês. A portaria interministerial assinada ontem será publicada hoje no ''Diário Oficial da União''.
A portaria foi assinada pelos ministros que compõem o Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima). São eles: Reinhold Stephanes (Agricultura), Edson Lobão (Minas e Energia), Nelson Machado (Fazenda, interino) e Ivan Ramalho (Desenvolvimento, interino).
A redução vem no momento em que o país teme pelo desabastecimento interno de etanol e pela elevação exorbitante do preço do produto. O setor energético não acredita em diminuição de preços, mas vê a medida como um freio aos reajustes do produto.
As tempestades nas regiões Sul e Sudeste, que comprometeram a colheita da cana no fim do ano, e a entressafra da cultura, que começa agora em janeiro e vai até abril, são os fatores que melindraram as previsões de oferta de etanol.
O governo pretende retomar o nível de 25% em maio, quando a safra da cana estará recuperada. As usinas devem ainda acertar entre si antecipação da colheita em um mês - para março -, com o intuito de aliviar a pressão de demanda pelo produto.
A última redução da mistura ocorreu em março de 2006, quando caiu de 25% para 20%. Em novembro deste mesmo ano, houve aumento de 20% para 23% e, em julho de 2007, subiu novamente de 23% para 25%.
Redução não alivia oferta
A redução do porcentual de anidro na gasolina de 25% para 20% não vai trazer um alívio na oferta de produto, de acordo com o presidente da Datagro, Plínio Nastari. O consultor acredita que a decisão tenha um viés mais político do que prática. Segundo ele, ele vai reduzir o consumo em 108 milhões de litros por mês. ''A decisão não se justiça em questões de abastecimento porque não há risco de desabastecimento. A motivação provavelmente deve estar relacionada a preocupações ligadas a diminuição de pressão por demanda de etanol, o que tem levado a preços crescentes do anidro e hidratado'', disse. Para Nastari, o efeito de redução de consumo será bastante limitado.
Para o diretor da consultoria Canaplan e ex-presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, a redução da mistura do anidro à gasolina ''uma medida de bom senso, já que o governo utilizou um dos poucos instrumentos que tinha para agir no mercado''. ''A medida deveria ter sido tomada antes, quando já era sabido que as chuvas durante a safra trariam impacto na produção do etanol'', disse.
O empresário e conselheiro da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) Maurílio Biagi Filho criticou a redução da mistura do anidro à gasolina, afirmou que ela ''não terá qualquer impacto'' na redução dos preços do etanol hidratado e nem trará uma oferta suficiente para evitar desabastecimento do combustível de cana-de-açúcar. ''Isso (decisão) mostra como o álcool é tratado no governo; por muita gente e com absoluto desconhecimento''

mockup