Curitiba – O Ministério da Agricultura vai enviar uma missão técnica para a China no próximo sábado para conhecer as exigências desse país de certificação de soja livre de contaminação de organismos geneticamente modificados. A China está adotando essa medida desde 20 de março. Estima-se que até o final do mês o Brasil deixará de embarcar 800 mil toneladas de soja em grão, equivalente a US$ 136 milhões, por conta da exigência.
As grandes cooperativas paranaenses já possuem certificação de soja tradicional, diferenciado-a da transgênica, mas o governo chinês quer um atestado do Ministério da Agricultura. A China é o segundo maior consumidor da soja exportada pelo Brasil, atrás da União Européia (a mesma relação é observada no Paraná). Em 2001, a China comprou 3,18 milhões de toneladas de soja do País, 45% a mais do que no ano anterior, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).
De acordo com o diretor do Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal do Ministério, Odilson Ribeiro, que vai comandar a missão, o governo tem pressa em solucionar o assunto. ‘‘Em abril começam o grosso das exportações. Temos que resolver logo essa questão com a China’’, disse.
Segundo Ribeiro, o Ministério da Agricultura está estudando a possibilidade de implantar um sistema próprio de certificação. ‘‘Em princípio, a soja do Brasil é toda tradicional, mas a exigência de certificado é uma questão de mercado’’, afirmou.
As cooperativas paranaenses ainda estão receosas para falar sobre transgênicos. Elas preferem esperar a decisão do governo federal se o produto vai ser liberado ou não. Porém a empresa de inspeção SGS, que tem uma unidade no Porto de Paranaguá, confirma o aumento da procura pela certificação. Segundo o diretor da Divisão Agrícola da SGS, Marcos Zwir, a empresa não fez nenhuma certificação de soja em grão exportada pelo porto paranaense em 2001, mas neste ano já foram feitas a rastreabilidade de 310 mil toneladas de soja em grão, da Castrolanda e da Batavo, que ainda estão nas cooperativas, esperando para serem embarcadas. ‘‘No momento de embarque no porto também está havendo bastante procura’’, disse Zwir. Segundo ele, esse sistema certifica apenas a carga exportada, enquanto que a rastreabilidade acompanha desde a origem da semente até a logística de transporte.

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