A missão de sete técnicos do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), que inicia seus trabalhos hoje no Brasil para verificar a eficiência do sistema sanitário sobre o controle da doença da vaca louca, irá se dividir em três grupos para avaliar as informações fornecidas pelo governo brasileiro.
Serão quatro técnicos do Canadá, dois dos Estados Unidos e um do México e a coordenação da missão ficará aos cuidados do veterinário-chefe da Agência de Inspeção de Alimentos do Canadá, Brian Evans.
Os canadenses ficarão responsáveis pelas informações referentes à alimentação usada pelos animais, enquanto os americanos se encarregarão dos dados referentes ao sistema de rastreabilidade do rebanho nacional (que está sendo implementado e permitirá monitorar desde a origem até o abate do animal). O técnico mexicano analisará informações relativas ao controle de importações usado pelo Ministério da Agricultura.
Os canadenses que compõem a missão John Kellar; Randy Morley, Sylvie Farez e Sergio Tolusso. Os quatro são integrantes da Agência de Inspeção Alimentar do Canadá. Pelos Estados Unidos, Cristobal Zepeda e Allen Jenny. Pelo México, está vindo a técnica Elisa Rubi. Dos dois técnicos enviados pelos Estados Unidos, um é epidemiologista (Cristobal Zepeda) e o outro (Allen Jenny) especialista em diagnóstico em doença da vaca louca.
Prejuízos O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, informou ontem que o governo ainda não tem um levantamento sobre os prejuízos causados pelo embargo canadense às exportações de carne brasileira. ‘‘O setor privado ainda está fazendo o levantamento’’, afirmou o ministro. ‘‘De qualquer forma, sabemos que os danos diretos e indiretos são gigantescos.’’
Somente com a suspensão das exportações de carne bovina e derivados para os Estados Unidos, o País teria perdido, em duas semanas, US$ 5 milhões, considerando que cálculos do Ministério da Agricultura indicam que as perdas semanais são de cerca de US$ 2,5 milhões.
Pratini de Moraes também informou já ter encaminhado ao Itamaraty pedido de notificação à OMC (Organização Internacional do Comércio) para que sejam criadas regras - com base no Acordo Fitossanitário da entidade - visando impedir que nações ricas usem medidas políticas para prejudicar outros países.
O ministro Pratini de Moraes, que usava pelo segundo dia uma gravata de fundo azul marinho com estampas de vaquinhas, garantiu que os sete técnicos serão bem recebidos. ‘‘São pessoas sérias e competentes. E daremos todas as informações que forem necessárias’’, afirmou. Segundo ele, o governo terá prazer em mostrar alguma fazenda, fábrica de ração ou frigorífico aos técnicos estrangeiros, embora julgue essa visita desnecessária.
Conforme o ministro, os relatórios apresentados à Agência de Inspeção Alimentar do Canadá tem informações suficientes. ‘‘De qualquer forma, achamos essencial que eles conheçam e propaguem as medidas sanitárias adotadas pelo Brasil contra a vaca louca’’, observou. Na avaliação do ministro, a visita dos técnicos permitirá que o Brasil seja o único País do mundo a obter uma certificação do Nafta com relação ao controle da encefalopatia espongiforme bovina (EEB).
Pratini acredita que as reuniões técnicas acontecerão até a sexta-feira, embora não tenha sido informado quando a visita será encerrada. ‘‘Nossa expectativa é de que o embargo seja retirado até o final desta semana. Se isso não ocorrer, vamos ver o que fazer’’, observou. O Ministério da Agricultura já está com tudo pronto para receber a missão. Desde a semana passada vêm ocorrendo reuniões sucessivas, coordenadas pelo secretário de Defesa Agropecuária, Luiz Carlos de Oliveira.
As informações que serão colocadas à disposição pelo ministério abrangem o sistema informatizado sobre rastreabilidade do rebanho brasileiro, as regras de vigilância sanitária, especialmente o programa que permite o controle de doenças como a da ‘‘vaca louca’’. O fim do embargo deverá ser anunciado simultaneamente pelos três países - Canadá, Estados Unidos e México.

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