Técnicos que integram a missão européia visitaram ontem a Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (a 47 km ao sul de Cornélio Procópio), considerada foco de aftosa, mas se recusaram a chegar perto das 209 cabeças de gado trazidas de Eldorado (MS), onde surgiram os primeiros focos da doença. Foi o segundo dia de visita da missão ao Paraná com o objetivo de avaliar as ações de defesa sanitária animal. Eles também conheceram as instalações do Parque de Exposições Governador Ney Braga, em Londrina.
''Insisti bastante para que eles vissem os bois, mas a resistência foi deles mesmo e não pude obrigá-los. Acredito que um contato visual já constataria que os animais estão sadios'', afirmou o gerente da Fazenda Cachoeira, André Carioba Filho. Segundo ele, no local haviam roupas próprias disponíveis para que os técnicos pudessem chegar perto do local onde os bovinos estão confinados. A atitude também foi criticada pelo presidente da Sociedade Rural do Paraná, Edson Neme Ruiz.
''Acho importantíssimo que os técnicos verificassem 'in loco' os animais das seis fazendas que ainda estão interditadas. Considero um absurdo que eles venham da Europa até aqui para não ver nenhum animal'', avaliou Neme. Além da Cachoeira, estão interditadas outras cinco propriedades: Fazenda Cesumar, em Maringá, que recebeu a visita dos técnicos na segunda-feira; e outras localizadas em Bela Vista do Paraíso, Amaporã, Loanda e Grandes Rios.
No entanto, o diretor de Defesa Agropecuária da Seab, Felisberto Baptista, disse que o objetivo da missão não é ''entrar no mérito'', ou seja, verificar se há ou não aftosa no Paraná ou julgar diagnósticos. ''Não há qualquer lógica para que eles tenham contato com os animais. Eles (europeus) estão checando as informações, ouvindo as duas partes envolvidas (técnicos e pecuaristas) e reconstituindo os passos e procedimentos adotados desde que foi levantada a suspeita (da doença)'', afirmou.
Cachoeira - Em princípio, os europeus não queriam nem mesmo entrar na Fazenda Cachoeira. Eles chegaram à propriedade por volta das 14h30 e foram recepcionados por Carioba que, em inglês, os convidou para visitar a propriedade e verificar o lote de 209 cabeças que foi declarado com a doença. A missão aceitou entrar na propriedade porque foi informada que a sede está distante do confinamento dos animais. Em cerca de 40 minutos, os europeus questionaram Carioba sobre todos os procedimentos adotados pela Seab e pelo Mapa desde que foi levantada a suspeita da doença, em outubro.
Segundo ele, os bovinos estão sendo acompanhados por técnicos da Seab todos os dias, desde que foi confirmado o foco da doença no MS, no dia 10 de outubro. ''Deixamos claro que não concordamos com a condição de foco. Ocorreram uma série de mal entendidos que nos trouxeram até essa situação e aqui temos uma situação complexa em que a sorologia acusa resultados em animais vacinados'', disse. Técnicos alegam que animais vacinados podem apresentar resultados falso positivo, uma vez que a vacina contém resíduos de proteínas não estruturais do vírus, detectadas nos exames sorológicos.
Carioba explicou aos europeus ainda porque impetrou ação judicial contra o abate dos animais. ''A ação foi proposta porque não houve um acordo entre o pessoal do Mapa, da Seab e nós tanto na divulgação do foco como em um retrocesso'', explicou. Os europeus permanecem no Estado até hoje. Pela manhã, eles devem se reunir com técnicos da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) para mais uma reunião.

mockup