Missão marca nova era para Brasil e china
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sexta-feira, 21 de maio de 2004
Das Agências 
Brasília - Uma comitiva de 30 pessoas, além da primeira-dama Marisa Letícia, embarcou ontem no avião presidencial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a viagem de sete dias à China. Entre ministros, governadores, senador e deputados, dois convidados especiais: os chineses e acupunturistas Gu Hang Hu e Gu Zhou Ji, que atendem o presidente e vários de seus auxiliares e ministros.
A visita do presidente à China marcará a entrada dos dois países em um novo momento, caracterizado pela interação bilateral e por uma longa e complexa pauta comum. A previsão é do embaixador Edmundo Fujita, chefe do Departamento de Ásia e Oceania do Ministério das Relações Exteriores. ''Os dois países estão cada vez mais envolvidos e entrelaçados, são complementares em muitos aspectos'', acrescenta, em referência aos 30 anos de relações diplomáticas.
Se em 1974 o volume total de comércio entre os dois países era de cerca de US$ 17 milhões, segundo dados estatísticos da alfândega chinesa, em 1979 essa cifra já somava US$ 219 milhões. O crescimento persistiu nas décadas de 80 e 90, quando a movimentação chegou a US$ 1,494 bilhão e, no ano passado, alcançou US$ 6,7 bilhões - 385 vezes mais que em 1974. Para 2005, a expectativa é que as cifras cheguem a US$ 10 bilhões.
O potencial de desenvolvimento dessa relação ainda não chegou perto do nível de saturação. Apesar do crescimento acelerado, a participação do Brasil entre os países que exportam para a China ainda é reduzida - os produtos brasileiros representam apenas 1% do total importado pelo país asiático. Mas o quadro deve mudar. No primeiro trimestre deste ano, as vendas para a China cresceram 59,9% sobre igual período no ano anterior e a pauta se diversifica: hoje, além de soja e minério de ferro, que correspondem juntos a 46% das exportações brasileiras para os chineses, o Brasil já vende aço, celulose, máquinas e instrumentos mecânicos, madeira, couro e peles, automóveis e suco de laranja.
Segundo a Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex), no ano passado 1.638 empresas brasileiras efetuaram vendas com os chineses, 21% a mais que em 2002. Isso faz da China o maior parceiro comercial do Brasil na Ásia e o terceiro maior mercado de destino das exportações brasileiras, atrás apenas dos Estados Unidos e da Argentina. No sentindo oposto, o Brasil é o maior parceiro comercial da China na América Latina e garante o abastecimento em commodities agrícolas e minerais metálicas.


