Missão européia vem avaliar polpa cítrica
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quinta-feira, 07 de janeiro de 1999
Mariângela Heredia Agencia Estado 
Uma missão técnica da União Européia chegará ao Brasil em 11 de janeiro para avaliar a possibilidade de os países europeus retomarem a importação de polpa cítrica brasileira, suspensa desde abril, quando foram constatados no produto altos níveis de dioxina - uma substância cancerígena. As vendas externas do farelo de polpa cítrica rendem ao País cerca de US$ 100 milhões por ano.
De acordo com técnicos especializados, contratados pela Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), a contaminação por dioxina foi um acidente e teria sido causada pela cal hidratada usada para neutralizar o ph da polpa cítrica.
Nos próximos dias, o Ministério da Agricultura deve divulgar uma portaria regulamentando a produção e a comercialização da polpa cítrica, estabelecendo padrões de identidade e qualidade do produto e parâmetros para todas as substâncias que compõem o alimento.
A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, no entanto, está preocupada com o crescimento do consumo interno da polpa cítrica após a proibição das exportações para a Europa.
Um requerimento do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) aprovado pela Comissão convida o ministro da Agricultura, Francisco Turra, a prestar esclarecimentos sobre a comercialização da polpa cítrica, usada com ração complementar para o gado). O requerimento pega carona na decisão da UE.
O deputado Fernando Gabeira afirma que o pecuarista brasileiro não têm conhecimento dos efeitos negativos da polpa cítrica e ignoram o assunto. Ele informa que já estão surgindo críticas na Europa sobre a importação de carne brasileira em razão da utilização do produto como ração para gado.
O Ministério da Agricultura encaminhou ao deputado os resultados dos estudos patrocinados pela Abecitrus, mas Gabeira ainda avalia a possibilidade de a dioxina ter surgido em consequência do uso de agrotóxicos cuja venda é proibida no Brasil.
A Abecitrus confirma que a paralisação das exportações criou para o produtor nacional a possibilidade de utilizar o farelo de polpa cítrica, substituindo parte do milho usado na ração para o gado de leite e de corte. O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Ênio Marques,e o diretor do Departamento de Fiscalização e Fomento da Produção Animal, Júlio Puga, garantem que o produto contaminado por dioxina não foi consumido no Brasil. Júlio Puga adverte, no entanto, que a polpa cítrica só deve ser usada como complemento da ração, no máximo com 30% do total. Segundo ele, o uso incorreto do produto pode levar à proliferação de fungos que comprometem a saúde dos animais.


