Missão do FMI faz penúltima revisão do acordo no País
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domingo, 27 de julho de 2003
Adriana Fernandes<br> Agência Estado 
Brasília - Começa nesta semana a penúltima revisão do acordo do governo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Chefiada pelo argentino Jorge Marquez-Ruarte, um nova missão do fundo desembarcou ontem em Brasília e terá hoje à tarde a primeira reunião com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Na chegada ao Brasil, Ruarte disse que o quadro da economia brasileira está bom, mas evitou fazer comentários sobre o futuro das negociações. Cauteloso, o chefe da missão afirmou apenas que a tramitação das reformas constitucionais no Congresso também ''caminha bem''.
Apesar da confiança manifestada pelo representante do FMI, a missão chega ao Brasil para a revisão do acordo em meio a dificuldade enfrentada pelo governo nas negociações das reformas tributária e da Previdência. Com a proximidade do fim do acordo, também cresceram as especulações sobre a possibilidade da sua renovação até o fim do ano. O programa termina no final do ano.
A intenção do ministro do Fazenda, Antônio Palocci, é a de não alimentar essa discussão agora, mas deixá-la para depois. Uma última missão do FMI para a revisão do acordo em vigor ainda terá que ser feita e já está marcada para o mês de outubro. O ministro tem dito que não há decisão sobre uma possível renovação do acordo e que o assunto será avaliado nos próximos meses.
Mas, preparando o terreno contra eventuais resistências, caso haja necessidade de um novo acordo, o ministro tem insistido sempre na avaliação de que o programa com o FMI tem sido muito importante para o Brasil e que a nova relação estabelecida com o fundo permitiu, na verdade, um apoio da organização, e não um programa de ações determinado por Washington.
Na hipótese da renovação do acordo, o governo brasileiro vai querer mudar as regras do programa atual para permitir maiores gastos nas áreas de infra-estrutura e social. Foi nessa direção que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas indiretas, na quinta-feira passada (24), às políticas do FMI recomendadas aos países em desenvolvimento, que limitariam, segundo ele, os gastos públicos em infra-estrutura.
O diretor-gerente do FMI, Horst Köhler, já ofereceu, em junho, ao ministro Palocci a possibilidade de renovação do acordo. O fundo está aberto para examinar maneiras de continuar a apoiar a política econômica brasileira depois que terminar o atual acordo e a prorrogação poderá ser discutida, se houver interesse por parte das autoridades brasileiras. Segundo um assessor do Ministério da Fazenda, espera-se para essa semana mais uma revisão fácil.


