Brasília - A missão enviada pelo governo a Moscou deve começar hoje as reuniões com autoridades do Ministério da Agricultura da Rússia para tentar reverter o embargo imposto às importações de carne bovina, suína e de frango do Brasil. Pela segunda vez neste ano, os russos suspenderam as importações de carne brasileira, depois que o governo confirmou um novo foco de febre aftosa no rebanho do País. Desta vez, o foco foi registrado em Careiro da Várzea, no Amazonas.
Em agosto, o Brasil foi o maior exportador de carne bovina e suína para a Rússia e um dos primeiros de carne de frango. Cálculos do Ministério da Agricultura sinalizam prejuízo diário de US$ 4 milhões com o embargo. Fonte do ministério admitiu que causou ''estranheza'' o fato de a Rússia ter suspendido também as importações de frango. Só são suscetíveis à aftosa animais de casco bipartido, como caprinos, ovinos, bovinos, bubalinos e suínos.
Trigo - O grupo também levou a Moscou documentos relativos à análise de risco para importação de trigo. Os comentários são de que o embargo seria uma estratégia para que o governo brasileiro flexibilize as regras para importação de trigo russo.
De acordo com fontes do Ministério da Agricultura, o grupo liderado pelo secretário de Produção e Comercialização, Linneu Costa Lima, levou documentos e mapas que comprovam que não há risco sanitário nas importações do Brasil. A argumentação é de que a região onde foram encontrados os animais doentes não tem autorização para exportação. Os técnicos informarão ao governo russo que a região onde foi identificado o foco no Amazonas pertence ao Circuito Pecuário Norte.
O grupo enfatizará também que a região do foco é de difícil acesso e que barreiras naturais rios, lagos, floresta amazônica e a ausência de estradas de acesso impedem a propagação da doença. O rebanho infectado está a 500 quilômetros da atual zona livre de aftosa com reconhecimento internacional e a 350 quilômetros da área livre do Estado do Pará com reconhecimento nacional.
Para evitar que a febre aftosa se alastre pelos Estados vizinhos ao Amazonas, o governo decidiu proibir o transporte de animais vivos, produtos e subprodutos do Estado para Rondônia, informou a assessoria de imprensa do ministério. O Estado exporta miúdos de boi para países da Ásia.

mockup