BANGALORE, Índia - Oitenta e oito moças disputarão hoje, em Bangalore, sul da Índia, o título de Miss Mundo 1996 em um clima de grande tensão devido às ameaças de imolações pelo fogo e aos protestos de nacionalistas hindus, que consideram o concurso uma invasão cultural. Mais de dez mil policiais foram mobilizados para garantir a cerimônia. Este deslocamento fora do comum de forças policiais fez um político local afirmar que a capital do estado de Karnataka parecia mais ser a sede de uma convenção das forças de ordem.
É a primeira vez que a eleição de Miss Mundo é realizada na Índia, uma novidade que causou uma onda de protestos e ameaças por parte de organizações feministas e de nacionalistas hindus. Além de considerar ser uma ofensa à dignidade da mulher, estas organizações vêem no concurso uma ameaça aos valores indianos e o sinal de uma crescente influência do modo de vida ocidental no país.
A seção local do Bharatiya Janata Party - principal partido de oposição indiano - anunciou sua intenção de bloquear as ruas hoje para perturbar o andamento da cerimônia, enquanto outras organizações nacionalistas hindus falavam de uma mobilização de cerca de 100 mil pessoas a fim se sitiar o estádio de Chinnaswamy.
Uma nuvem ainda mais inquietante paira sobre o local onde se realizará o concurso. K.N. Shashikala, dirigente de uma organização feminista radical, declarou que uma dúzia de mulheres e ela própria se imolarão com fogo, afirmando que a ameaça deveria ser levada a sério.
A hostilidade quanto ao concurso não é geral, a julgar pela indisfarçável alegria com que o país recebeu as duas jovens indianas que foram eleitas Miss Mundo e Miss Universo em 1994.
Segundo uma pequisa de opinião realizada pelo jornal local Deccan Herald, 78% dos habitantes de Bangalore são hostis aos protestos violentos e 64% consideram que o concurso é uma coisa boa para a cidade.

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