Curitiba - Caso mantenha as taxas de redução de pobreza obtidas nos últimos anos, em 2013 o Paraná pode ser o primeiro estado do Brasil a superar a condição de miséria absoluta em seu território, o que significaria que em nenhum domicílio a renda per capita mensal seria menor do que meio salário mínimo. Um ano antes, em 2012, Paraná e Santa Catarina já podem ter dado um primeiro passo nesse sentido, como os primeiros estados que devem conseguir superar a condição de miséria extrema (com renda média domiciliar per capita de até um quarto de salário mínimo).
As conclusões fazem parte de estudo sobre evolução e projeção da pobreza e da desigualdade de renda por região e estado da federação, divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos do Governo Federal. O estudo levou em conta dados dos últimos 15 anos, considerado como período da estabilidade econômica.
As conclusões do estudo são claras. A realidade recente vivenciada pelo País, que alia crescimento econômico a avanço social, vem reduzindo as taxas nacionais de pobreza absoluta e miséria. O crescimento econômico, no entanto, não se mostrou suficiente para elevar o padrão de vida de toda população, uma vez que as regiões com maior expansão econômica não foram as que mais reduziram a pobreza e a desigualdade.
Exemplo claro é a região Centro-Oeste. Entre 1995 e 2008, a região teve o maior ritmo médio anual de expansão de Produto Interno Bruto (PIB) per capita (5,3%) do País, embora tenha registrado também o pior desempenho em termos de redução média anual da taxa de pobreza absoluta (-0,9%) e a segunda diminuição média anual da taxa de pobreza extrema (-2,3%). A região Sul, por sua vez, teve o menor ritmo de expansão do PIB (2,3%), mas foi a região que teve melhor desempenho na redução da pobreza absoluta (-3%) e extrema (-3,7%).
No Brasil
Em 2016, o Brasil também pode ter superado a miséria e diminuído para 4% a taxa nacional de pobreza absoluta, segundo o estudo. Esse cenário acontece quando se projeta no tempo a redução das taxas de pobreza alcançadas entre 2003 e 2008, período de maior registro de redução. Para que isso ocorra, os estados teriam que apresentar ritmos diferentes de redução da miséria, em função da enorme diferença das atuais taxas de pobreza.
Alagoas, com 32,3% de pobreza extrema, por exemplo, teria que reduzir em 4% por ano essa taxa, enquanto Santa Catarina, com queda de apenas 0,9 pontos já atingiria essa situação. Em 2016, o Sul seria a primeira localidade do País a superar a condição de pobreza absoluta. A região Nordeste, no entanto, ainda poderia registrar quase 28% de sua população na condição de pobreza absoluta.
O estudo conclui que, para eliminar a miséria, é necessário aprofundar a combinação de crescimento econômico com avanços sociais e aperfeiçoar as políticas públicas de alcance nacional, sobretudo daquelas voltadas ao atendimento das regiões e estados menos desenvolvidos. Por isso, ressalta a importância do papel do Estado, na execução de uma política nacional de desenvolvimento que possibilite ao País enfrentar todos os problemas de ordem social.

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