Ministros tentam acelerar fim do embargo
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segunda-feira, 17 de outubro de 2005
Agência Estado 
Moscou- O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse ontem que não há expectativa de que o embargo da Rússia às exportações brasileiras de carne bovina seja amenizado imediatamente. ''Esperamos que isso aconteça no menor tempo possível'', disse Rodrigues. Mais cedo, em Roma, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, havia feito o mesmo alerta. O embargo à carne brasileira deverá ser o centro da agenda do encontro que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem hoje com o presidente russo, Vladimir Putin.
Outro ponto importante são as negociações para o ingresso da Rússia na Organização Mundial do Comércio (OMC). Os russos precisam da aprovação do Brasil e de todos os demais membros para atingir seu objetivo. No caso do Brasil, as negociações para o apoio passam por mudanças nas regras de exportação de carne e açúcar brasileiros. A resistência da Rússia nos dois pontos, porém, tem dificultado o apoio, manifestado até agora apenas informalmente pelo governo brasileiro.
Lula chegou a Moscou ontem à noite e embarcará às 21h45 de hoje para o Brasil, encerrando a viagem à Europa, que incluiu Portugal, Espanha e Itália. Amanhã, terá encontros de trabalho e um jantar com o presidente Vladimir Putin.
Na questão da carne, há uma primazia dos Estados Unidos e da União Européia, que têm cota de 70% das importações russas. O Brasil e todos os outros países produtores dividem os 30% restantes. O aumento deste porcentual é um dos pleitos brasileiros na negociação para apoiar a entrada da Rússia na OMC. O cálculo das cotas foi feito com base nas exportações realizadas entre 1999 e 2002. O Brasil reivindica que a base de cálculo sejam os últimos cinco anos, pois houve um aumento significativo das exportações de carne para os russos nos últimos dois anos.
No caso do açúcar, o Brasil quer a redução do imposto de importação cobrado pelo governo russo. Atualmente, a taxa varia de US$ 140 a US$ 270 por tonelada. Cada vez que o preço internacional do produto cai, o governo russo aumenta o imposto que cobra dos importadores, levando à queda das exportações brasileiras. A medida é uma proteção para os produtores russos de açúcar à base de beterraba.
Na diplomacia brasileira, acredita-se que a entrada da Rússia na OMC, que poderia ser anunciada na reunião da organização marcada para dezembro, em Hong Kong, ficará para o ano que vem. O motivo é que, como o Brasil, vários outros países estão negociando as condições para o ingresso dos russos.


