Ministros se reúnem com autoridades chinesas
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terça-feira, 15 de junho de 2004
Agência Estado 
São Paulo - Preocupados com o embargo chinês à soja brasileira, os ministros da Agricultura, Roberto Rodrigues, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, se reuniram com autoridades chinesas ontem à tarde em São Paulo. Nas conversas, realizadas nas instalações da 11 Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), os ministros e autoridades chinesas fizeram os acertos finais para o embarque de uma delegação brasileira a Pequim para tentar negociar o fim do embargo com o Ministério de Quarentena da China.
A viagem à China do secretário de Defesa Agropecuária, Maçao Tadano, que deveria ocorrer hoje foi cancelada porque a embaixada chinesa no Brasil não concedeu visto de entrada para Tadano, informou o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Tadano iria a Pequim discutir com autoridades chinesas uma solução para a questão da soja, que tem sido devolvida pelos importadores da China por causa de contaminação com sementes.
Segundo Rodrigues, trata-se de um problema técnico. Tadano teria ''status'' de vice-ministro para as autoridades chinesas, e, seguindo a diplomacia do país asiático, só poderia conseguir um visto de entrada se tivesse um convite do governo chinês. ''Embora houvesse um acerto com a área técnica chinesa, Tadano precisa de um convite do governo chinês para conseguir o visto'', explicou o ministro.
Rodrigues disse que a diplomacia chinesa foi contactada para que o visto saia até o final da semana e Tadano tenha a reunião na China no começo da semana que vem. Não há confirmação, no entanto, que a missão brasileira à China vá realmente ocorrer na semana que vem. Segundo Rodrigues, o prejuízo com a devolução da soja brasileira já ultrapassa US$ 1 bilhão.
Rodrigues reconheceu que o embargo já afeta cerca de 90% dos embarques brasileiros para a China e afirmou estar preocupado com o caso. O número de empresas proibidas pelo governo chinês de desembarcar o produto chega a 23, praticamente o total de companhias exportadoras. A China começou a proibir o desembarque de soja brasileira depois de encontrar grãos tratados com fungicida nas cargas, o que desenquadrou o produto dos padrões exigidos para consumo humano.
Ao sair da reunião, o vice-ministro das Relações Exteriores da China, Yi Xiaozhun, afirmou que o país está disposto até a aumentar as importações de soja do Brasil, desde que o problema sanitário seja resolvido. ''O problema que estamos enfrentando é uma questão técnica, ligada à saúde humana, porque a soja está inadequada ao consumo humano'', disse Xiaozhun. ''Os dois países vão se sentar juntos para encontrar uma solução o mais breve possível. E acho que vamos resolver esse problema.''
Rodrigues teme que a suspensão temporária se confirme de modo permanente. ''Aí, sim, criará uma posição quase intransponível para as exportações para a China.'' Segundo ele, o Ministério da Quarentena da China, responsável pelo controle fitossanitário dos produtos que entram no país, informou que os navios brasileiros com soja que estão se dirigindo aos portos chineses serão descarregados, mas, antes da liberação, as cargas serão analisadas. Rodrigues informou também que o governo está solicitando a presença de fiscais chineses no Brasil para acompanhar a checagem e o embarque de soja. De acordo com ele, o setor privado está disposto a bancar as despesas com os fiscais chineses.


