Ministros pedem mais investimentos a empresas
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sexta-feira, 07 de novembro de 2003
Tânia Monteiro<br> Agência Estado 
Brasília Os ministros da Fazenda, Antônio Palocci, e da Casa Civil, José Dirceu, reuniram-se ontem com 12 grandes empresários para cobrar pessoalmente o aumento de investimentos no País, após lembrarem que o governo já criou as condições para a volta do crescimento. Os empresários avisaram que para isso ocorrer, será preciso o controle da oscilação do câmbio, a redução dos juros e dos entraves na área de meio ambiente, que têm dificultado as ações em diversas áreas. Foi a segunda reunião do governo com esses empresários no Palácio do Planalto.
Os ministros voltaram a mencionar os índices de crescimento previstos para 2004, da ordem de 3% ou 3,5%. Os industriais reclamaram ser pouco. De acordo com o relato do dono da Klabin, Pedro Piva, Palocci ponderou que ''é melhor trabalhar com uma base menor e superar esta meta do que, depois, ter uma decepção''. Piva acha que todo esforço deve ser feito para que as taxas sejam entre 5% e 6% nos próximos anos.
Segundo relato de Piva, os ministros pediram e insistiram para que os empresários fizessem um ''esforço exportador'', o que levará a criação de empregos. ''Pedimos, então, que eles não deixem de olhar o mercado interno, que é o exportador do futuro'', afirmou Piva. Os representantes do governo disseram ainda que vão procurar desonerar de qualquer maneira os instrumentos que emperram o desenvolvimento.
Piva argumentou que as oscilações da taxa de câmbio causam ''problemas sérios'' para as empresas. Segundo ele, já existem empresários que estão ''exportando sem lucro nenhum'' em razão da cotação baixa do dólar. Mas ele deixou claro que os empresários não estavam pedindo, de forma alguma, intervenção no câmbio.
Também presente ao encontro, o presidente do grupo Votorantim, Antônio Ermírio de Moraes, salientou que a questão cambial ''é muito complexa'' e defendeu que a taxa em vigor suba ''um pouquinho e devagarzinho até chegar na casa dos R$ 3''. Segundo ele, isso seria possível, pois a inflação está sob controle e a pior preocupação é com o desemprego. Segundo ele, um empresário de capital estrangeiro chegou a pedir uma taxa de R$ 3,50. ''Mas isso seria um absurdo'', comentou. Palocci, segundo o empresário, ''ouviu e tomou nota''.
Antônio Ermírio aprovou a extensão do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) por mais um ano. ''O Brasil precisa de recursos para não ter nenhuma surpresa no ano que vem'', comentou. Ele voltou a bater na tecla da necessidade de redução dos juros. ''Se até o final de dezembro baixar mais um por cento, ajudaria'', afirmou.


