Ministros fecham parceria estratégica
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sexta-feira, 05 de agosto de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 

Sai de campo a famosa rivalidade e entra uma possibilidade sólida de cooperação bilateral entre Brasil e Argentina. Quando se trata do agronegócio, os países tentam se aproximar e, quem sabe, aumentar as exportações de produtos agrícolas para outras partes do mundo. Nesta semana, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, se reuniu com o colega argentino Ricardo Buryaile, em Buenos Aires, para discutir uma maior eficiência para o segmento, caso os países trabalhem em conjunto. A conclusão foi clara: ambos os países precisam se unir para liderar o Mercosul e ampliar o espaço comercial entre os blocos econômicos do planeta. As entidades paranaenses ligadas ao agronegócio aprovaram a nova aproximação entre brasileiros e argentinos e acham que pode dar retorno ao Estado.
Maggi reconheceu a importância da parceria estratégica, embora saiba que existam competições regionais que devem ser tratadas de forma "transparente e tranquila". De acordo com o ministro, os dois países são grandes exportadores mundiais de alimentos e terão mais força nas negociações internacionais se atuarem de forma conjunta e coordenada. "Nós somos parceiros e podemos andar juntos mundo afora fazendo o enfrentamento no mercado mundial", afirmou o ministro. Na avaliação dele, os dois países devem liderar as negociações entre o Mercosul e a União Europeia, que se arrastam há anos e sem avanço concreto.
Já Buryaile reconheceu que é a primeira vez desde 2013 que o ministro da agricultura brasileiro visita oficialmente o país vizinho. Ele acrescentou que Brasil e Argentina "precisam ser sócios estratégicos e a união é uma necessidade".
PARANÁ
O analista da gerência técnica da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Gilson Martins, comenta que os países são, de fato, competidores no segmento, mas podem se fortalecer enquanto bloco competitivo para galgar novos mercados. "Eu considero que a aproximação com a Argentina deve ser vista com bons olhos. É preciso focar na ampliação dos mercados e a realização de acordos com outros blocos comerciais, o que inclui a União Europeia. Hoje nós sabemos que há uma morosidade grande para fechar negócios desse porte."
Para Martins, são válidas as tentativas recentes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) de melhorar as exportações. Ele lembra do recente acordo com os Estados Unidos para a venda de carne bovina in natura a partir dos próximos meses. "Tem que ter os pés no chão e fechar acordos sólidos. Para o Paraná, é importante devido à sua posição estratégia em relação à logística."
O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, disse, por meio de nota da assessoria de imprensa da entidade, que aprova a iniciativa de fortalecimento entre os dois países. "Quanto mais esforços para vender nossos produtos, melhor", afirmou a nota. Os dois ministros devem se encontrar mais uma vez ainda este mês. Buryaile vai estar na abertura da Expointer, no próximo dia 29, no município de Esteio, no Rio Grande do Sul.


