Ministros do G-7 estudam remédios para a crise
Os ministros de Finanças dos sete principais países industrializados (G-7) vão analisar hoje em Londres os possíveis remédios para a crise financeira asiática e seguramente receberão sem entusiasmo o novo plano de reativação econômica do Japão.
Na véspera desta reunião de ministros de Finanças e governadores dos bancos centrais, os Estados Unidos manifestaram claramente sua prioridade: obrigar o Japão a assumir suas responsabilidades de primeira potência econômica da Ásia.
Para o secretário norte-americano do Tesouro, Robert Rubin, Tóquio tem um papel crucial a desempenhar na solução desta crise. Se o Japão registrar um crescimento sólido, impulsionado pela demanda interna, oferecerá uma maior saída para os produtos asiáticos e será uma maior fonte de créditos bancários e de capitais, disse Rubin.
O novo pacote de medidas econômicas apresentado ontem pelo Partido Liberal Democrata (PLD, no poder no Japão) decepcionará provavelmente os demais membros do G-7, pois não contém medidas fiscais capazes de impulsionar o consumo interno.
Este plano não aliviará a pressão dos Estados Unidos sobre as autoridades japonesas, disse ontem Shaun Roache, especialista do banco de investimentos ING Barings em Londres. Os japoneses devem promover baixas de impostos importantes e permanentes, completou.
Os países europeus apóiam as exigências dos Estados Unidos e insistem no reforço dos dispositivos de prevenção das crises. O ministro de Finanças britânico, Gordon Brown, que presidirá a reunião, quer fazer avançar a idéia de um código de conduta orçamentário e monetário, obrigando os países a uma maior transparência sobre a realidade de sua situação econômica. Este código de conduta será estabelecido como patrocínio do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Os governadores dos bancos centrais lembrarão novamente, hoje, o caso doloroso da Indonésia, para mostrar mais uma vez seu rechaço ao projeto do presidente Suharto de criar um comitê monetário e vincular a rúpia ao dólar. Mas também debaterão sobre a difícil situação social do país.
Os mercados de câmbio continuarão atentos às posições dos sete países mais industrializados sobre as paridades das moedas principais. Em sua última reunião, em setembro passado, em Hong Kong, os ministros de Finanças do G-7 advertiram contra a fragilização do iene frente ao dólar, e afirmaram que não tolerarão uma nova desvalorização da moeda japonesa.





