Brasília - Pelo menos três ministros da área econômica do governo defenderam ontem a manutenção da Selic (taxa básica de juros) em 16% ao ano decidida quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom). O ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, disse que não há motivos para interrupção do processo de crescimento econômico por causa das ações do Banco Central (BC). ''O BC não aumentou os juros, manteve. Se a manutenção das taxas permitiram o crescimento até agora, por que em determinado momento não vão mais permitir?'', disse Palocci ao sair ontem de uma audiência no Congresso Nacional.
''Hoje temos condições suficientes para que o emprego cresça, obviamente que juros mais baixos são um fator adicional'', comentou o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini. Segundo o ministro, porém, é necessário combater a inflação e mantê-la em um patamar baixo.
O ministro do Planejamento, Guido Mantega, disse que, como todo mundo, ainda não conhece as razões do BC para manter os juros inalterados. ''Eles devem ter detectado alguma pressão inflacionária por causa do aumento dos preços do petróleo ou da alta do dólar. Mas isso não significa que as taxas não vão continuar baixando.''
Mantega afirmou, porém, que existe uma margem de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo na meta de inflação de 5,5% para o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA). ''A meta pode ser atingida com a margem de tolerância'', explicou. De acordo com o BC, a manutenção de taxas de juros altas podem interromper uma alta da inflação, restringindo a atividade econômica.
Palocci descartou mudanças nas metas de inflação deste ano ou do ano que vem. ''Se toda vez que a inflação pressionar, a gente aumentar a meta, o resultado é fácil de prever: vai ter hiperinflação. Aliás, a nossa história é rica em exemplos nesse sentido'', disse.
Para o ministro da Fazenda, a política monetária já fez um movimento importante no ano passado para o combate à inflação. Palocci lembrou que o BC reduziu a taxa básica de juros em 10,5 pontos percentuais. ''E desde o início do terceiro trimestre de 2003 houve uma recuperação da atividade econômica. Os dados do IBGE mostram que também está acontecendo uma recuperação da renda das famílias. É preciso persistir no caminho'', comentou.
Ao responder perguntas dos deputados da Comissão Especial das Agências Reguladoras da Câmara dos Deputados, Palocci disse que é necessário que as pessoas tenham mais confiança no potencial do País. ''É preciso que o Brasil não tenha medo do sucesso. O Brasil se coloca muito em dúvida'', afirmou.

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