Os ministros do Comércio dos 34 países da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) tentavam ontem à tarde definir a data de início do que será a maior área de livre comércio do mundo. Segundo fontes diplomáticas informaram à Agência Estado, os ministros estavam se aproximando da definição de uma data, que possivelmente seria a originalmente pactada, para o ano 2005.
A intenção era evitar que a questão da data fosse adiada para a Terceira Cúpula Presidencial das Américas, que será realizada no dia 20 de abril em Quebec, no Canadá. Esta aproximação à uma definição das datas se deveu à flexibilização da posição dos Estados Unidos. Tanto o secretário do Comércio, Donald Evans, como o representante do Departamento do Comércio, Robert Zoellick, começaram a admitir nos últimos dois dias que adiantar a Alca para o ano 2003 ou 2004, ‘‘seria difícil’’. O Chile e o Canadá, aliados dos EUA, são os que pretendem a antecipação da área de livre comércio.
Ontem de manhã, na abertura da Sexta Conferência de Ministros do Comércio do Hemisfério Ocidental, o chanceler Adlaberto Rodríguez Giavarini afirmou que ‘‘a Alca é uma oportunidade única para o continente’’. Segundo Giavarini, ‘‘o processo de integração hemisférica constitiu, sem dúvida, um dos objetivos prioritários da política externa argentina, e encaminharemos nossos esforços para sua concretização’’.
No fim do dia de ontem, os ministros se preparavam para definir a ‘‘Declaração de Buenos Aires’’. Esta declaração consiste em um resumo de intenções políticas dos países da Alca. No entanto, o conteúdo do relatório das decisões comerciais é secreto. Mas, nem todos os países da Alca concordam com esta confidencialidade.
Segundo fontes diplomáticas, o Brasil estaria favorável à divulgação do ante-projeto da Alca. ‘‘O Brasil estaria procurando tornar a participação da sociedade civil mais transparente’’, explicaram.
Cavallo à CavalloAs polêmicas palavras do ministro de Economia da Argentina, Domingo Cavallo, na sexta-feira, acusando o Brasil de especular contra a paridade entre peso e dólar, foram ‘‘esclarecidas’’ em várias coletivas de imprensa, pelo próprio Cavallo e pelo presidente argentino Fernando de la Rúa. As duras críticas contra o Brasil e os especuladores do principal sócio do Mercosul por ‘‘atentar contra a estabilidade do peso’’, foram fartamente comentadas pela imprensa argentina e brasileira. O matutino Crónica (popular) destacou na manchete em sua primeira página: ‘‘Cavallo à la Cavallo’’. Pela manhã, atacou com tudo o Brasil por especular com uma desvalorização na Argentina. À noite, pediu desculpas’’. Todos os jornais brasileiros também destacaram em suas primeiras páginas as declarações do ministro argentino.

mockup