Brasília - Após as duras críticas feitas por praticamente todos os setores da sociedade, o ministro da Previdência, Amir Lando, voltou atrás e disse ontem que a proposta apresentada quinta-feira de elevar a carga previdenciária de trabalhadores e empresários para pagar a correção dos aposentados é só ''uma hipótese''.
A proposta prevê o aumento de três pontos da alíquota da contribuição do INSS pelo prazo de cinco anos. No entanto, o ministro não retirou a proposta da mesa de discussão sobre fontes de custeio para o pagamento da dívida do INSS com 1,88 milhão de aposentados, estimada em R$ 12,3 bilhões.
Nem dentro do governo foi bem recebida a proposta do ministro da Previdência Social, de aumentar a contribuição de empregadores e empregados para saldar uma dívida de R$ 12,3 bilhões com os aposentados. Menos de 24 horas depois de Lando ter sugerido aumentar em 3 pontos porcentuais a alíquota do INSS, ministros e políticos da base aliada criticaram a idéia.
O ex-titular da pasta e agora ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, defendeu outra saída. ''A solução deve levar em conta a responsabilidade orçamentária, o ideal é buscar alternativas'', disse. O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, disse que a matéria será estudada com cuidado e defendeu que é preciso ter criatividade para buscar uma nova fonte de receita. ''Esse financiamento tem de ser feito de forma a não onerar a folha de pagamentos'', argumentou.
''Não há razão para tempestade'', disse Lando ao comentar que a solução definitiva será construída por meio de consenso das partes envolvidas, ou seja, trabalhadores, aposentados e empresários. Em vez de retirar a proposta, o ministro disse que o governo tentará aprimorar a idéia e buscar alternativas para o pagamento.
Lando não considerou as reações contrárias à proposta como ''críticas'', mas ''uma colaboração para o debate''. ''Qualquer alternativa será discutida'', disse o ministro ao alertar que qualquer solução para o pagamento da dívida precisará ''buscar uma fonte alternativa ou diversas fontes de caráter tributário''.
O ministro afirmou que a proposta só foi apresentada para mostrar à sociedade o custo da dívida. Mesmo afirmando que o governo não tem a intenção de elevar a carga tributária, Lando sinalizou que o pagamento da correção dos aposentados será paga pela sociedade.
Segundo ele, o governo ''não tem no momento outra fonte que não seja custosa e que não passe pelo sofrimento de todos nós''. Foram descartadas as outras possibilidades, que previam o pagamento da dívida com recursos do FAT, CPMF e Cofins.

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