Ministro vê bom momento para venda da produção nacional
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sexta-feira, 10 de outubro de 2003
Gustavo Porto<br> Agência Estado 
Piracicaba - A disparada nos preços da soja no mercado internacional, após a redução na estimativa de safra para os Estados Unidos feita pelo seu Departamento de Agricultura (USDA), deve ser encarada pelos produtores brasileiros como uma boa oportunidade para que o grão seja comercializado no mercado futuro, afirmou o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.
O USDA reduziu de 71,92 milhões para 67,18 milhões de toneladas a previsão de produção de soja nos Estados Unidos e os preços superaram ontem o importante nível de US$ 7 por bushel (US$ 15,40 a saca), nos primeiros vencimentos da Bolsa de Chicago. A alta nos preços da soja estimula a venda do produto da safra 2002/2003, ainda com bom volume não-comercializado, segundo o ministro.
''A soja, como está sendo cotada hoje, oferece uma garantia muito grande para a venda no mercado futuro. É preciso olhar essa próxima safra com essa visão e tentar fechar contratos nesse sentido'', diz Rodrigues. O ministro alerta, porém, que a disparada dos preços e as previsões pessimistas dos Estados Unidos podem ser boas para a venda antecipada da safra do Brasil e para o escoamento do restante da safra 2002/2003, mas, ao mesmo tempo, podem agir como uma ''faca de dois gumes'' em relação ao plantio para a próxima safra.
''Essa previsão pode incentivar os produtores a plantarem no Brasil, assim como Argentina e em outros concorrentes nossos. Não podemos correr o risco de investir demais em uma atividade em detrimento de outras em um mercado que é muito oscilante'', disse o ministro.
A previsão divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, de que o Brasil irá produzir 60 milhões de toneladas de soja na safra 2003/2004, foi avaliada com cautela por Rodrigues. Segundo ele, somente depois do levantamento de intenção de plantio feito pelo governo federal, que deve ser concluído em 15 dias, será possível fazer uma previsão concreta.
''Eu não tenho condições de dizer se (o USDA) está certo ou errado porque não sei em que eles se basearam para fazer a estimativa. Só se for em expectativa do mercado. Aí sim é possível imaginar 60 milhões de toneladas ou até mesmo um pouco mais do que isso'', disse.


