Ministro vai cobrar cumprimento de acordo de usineiros
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quarta-feira, 05 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
Brasília - O governo decidiu aumentar a pressão para tentar reduzir os preços do álcool combustível. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, convocou os usineiros para uma reunião na quinta-feira, com objetivo de saber do setor o motivo de os preços atuais do álcool serem superiores a 60% do valor da gasolina. Para demonstrar a importância do tema, o local escolhido para a reunião será o Palácio do Planalto, e não o Ministério da Agricultura. ''Queremos saber o que está acontecendo e ver o que é possível fazer para evitar essa alta exagerada dos preços do álcool hidratado'', afirmou Rodrigues.
O ministro lembrou que, quando o governo autorizou a redução da mistura de álcool anidro na gasolina de 25% para 20%, ficou acertado com o setor que o limite dos preços do álcool seria de 60% do preço da gasolina. A redução do porcentual entrou em vigor em 1.º de fevereiro, após aceitação do Conselho Interministerial do Açúcar e Álcool (Cima), composto pelos Ministérios da Agricultura, Fazenda, Minas e Energia e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. ''Espero que esse acordo seja cumprido.''
Segundo Rodrigues, nos últimos dias houve aumento expressivo nos preços do álcool nas bombas dos postos, o que preocupa o governo. ''Não faz parte dos planos do governo um aumento de inflação por causa do aumento exagerado do preço do álcool'', afirmou.
O ministro disse que vai tratar da questão dos preços do álcool no nível do convencimento e do cumprimento de compromissos assumidos. ''Espero que isso seja suficiente como instrumento de bom senso'', afirmou.
Na contrapartida que permitiu a redução do porcentual, os usineiros também comprometeram-se a produzir 1,5 bilhão a mais de litros de álcool na safra 2002/03, a antecipar a colheita da cana-de-açúcar para março e a exportar 11 milhões de toneladas de açúcar em 2003, ante 13 milhões em 2002. Rodrigues lembrou ainda que os usineiros informaram ter estoques de 3 bilhões de litros no final de 2002 e que a demanda interna é de cerca de 800 a 850 milhões de litros por mês.
Uma guerra entre os Estados Unidos e o Iraque elevaria os custos de produção dos produtos agrícolas, principalmente considerando uma alta do petróleo e derivados e fertilizantes. ''Esses custos extras podem perturbar a rentabilidade da agricultura na próxima safra'', advertiu.


