Curitiba Os produtores paranaenses estão em pânico com a queda do câmbio. Se não houver correção nas cotações, poderão amargar perdas superiores a 40% na comercialização da soja no ínicio do ano que vem, em relação à receita que tiveram no início deste ano. Hoje os produtores estão enfrentado duplo prejuízo, um com a queda nas cotações da soja em dólar no mercado internacional, e outro, referente à depreciação do câmbio.
Essa preocupação será exposta hoje, em Curitiba, por cerca de mil dirigentes de cooperativas aos ministros da Agricultura Roberto Rodrigues, e da Coordenação Política, Aldo Rebelo. Os cooperativistas vão cobrar dos ministros uma posição. Rodrigues e Rebelo participarão da abertura do Encontro Estadual de Cooperativistas Paranaenses, promovido pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) defende a intervenção do governo no mercado. O assessor econômico Carlos Augusto Albuquerque disse que o Banco Central já deveria estar comprando os dólares para enxugar o mercado e promover aumento de divisas para o País. Com isso a cotação da moeda subiria, facilitando as exportações.
Com o câmbio no atual patamar, em torno de R$ 2,72 por dólar, as exportações ficam inviáveis. Segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, a cotação da soja no mercado internacional já caiu de US$ 360 a tonelada em março deste ano para US$ 194 a tonelada, conforme cotação de ontem, quase a metade do que estava.
E as previsões não são nada animadoras. A Bolsa de Chicago, dos Estados Unidos, prevê uma cotação de US$ 12,30 a saca de soja em maio de 2005, o que corresponde a R$ 33,45 a saca na cotação atual do câmbio. Para o milho, a situação é mais desesperadora. A cotação prevista pela bolsa norte-americana é de US$ 4,75 a saca, o que corresponde a um valor de R$ 12,89.
Para o assessor econômico da Ocepar, Robson Mafioletti, o agravante da situação é que esses valores não levam em conta o desembolso do produtor com custos de frete, pedágio e porto ''que, no ano que vem, pode repetir o prêmio negativo que tanto prejuízo causou''.
De acordo com Mafioletti, se o patamar do câmbio subir para R$ 3,20 por dólar, valor que o setor do Agronegócio julga ideal para a economia, a receita para o produtor aumentaria R$ 5,90 por saca. Com isso, a cotação da soja poderia aumentar para R$ 39,36 a saca,''um valor mais confortável para o setor trabalhar''.

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