Brasília - O vice-primeiro-ministro da Rússia, Boris Alioshin, iniciou ontem uma visita oficial de três dias ao Brasil com o objetivo de aprofundar a cooperação em sete diferentes áreas, entre as quais a econômico-comercial e a espacial, e de estreitar a relação bilateral, considerada prioritária pelo governo brasileiro. Sua maratona pelo Brasil, entretanto, deverá ser tumultuada pela controvertida decisão russa de reduzir as cotas de importação de carnes do Brasil e pelas ambições de cada lado de aumentar suas exportações.
Ainda ontem, Alioshin foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até sua partida de Brasília, na sexta-feira, terá se encontrado com seis ministros brasileiros, com o vice-presidente José Alencar e com os presidentes da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Antes de retornar a Moscou, ainda visitará a Embraer e a Avibrás, em São José dos Campos.
Ontem, ele participou da abertura da 3 reunião da Comissão Intergovernamental Brasil-Rússia, criada em abril de 1999 como principal instrumento de cooperação bilateral. Alioshin veio acompanhado por 22 empresários, que tiveram uma rodada de negócios com cerca de 40 executivos brasileiros na Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Nesse encontro, os empresários russos se concentraram nas possibilidades de venda ao Brasil de máquinas e implementos agrícolas, mas assistiram também a apresentações de softwares desenvolvidos no Brasil - entre os quais, os utilizados em automação bancária, no programa governo eletrônico, para o sistema de pagamentos e para a área agrícola.
O comércio entre Brasil e Rússia atinge pouco mais de US$ 2 bilhões por ano. Em 2003, o Brasil exportou US$ 1,4 bilhão. Entre os principais produtos estavam o açúcar, as carnes suína, bovina e de frango, o fumo e o café. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, a Rússia importa US$ 20 bilhões em alimentos a cada ano, o que indica uma elevada oportunidade para os exportadores brasileiros do setor. As importações de produtos russos, no ano passado, alcançaram US$ 555 milhões. Os itens de maior relevância são os químicos e fertilizantes.
O comércio, entretanto, foi prejudicado pelas restrições adotadas pelos russos no fim do ano passado. O governo brasileiro tem a expectativa de encontrar uma solução para o impasse gerado pela redução das cotas de carnes brasileiras, para o sistema de bandas de preços para o açúcar e para as medidas de salvaguardas aplicadas ao frango. Do outro lado, Alioshin deverá pedir a suspensão de medidas antidumping aplicadas sobre o nitrato de amônia e o ferro-cromo da Rússia.
Nos encontros com os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e da Agricultura, Roberto Rodrigues, Alioshin deverá conversar também sobre o ingresso da Rússia na Organização Mundial do Comércio (OMC) e o estreitamento das relações.

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