O ministro da Justiça, Iris Rezende, tenta hoje fechar um acordo para que seja decretada uma falência negociada da Encol. Se isso acontecer, as obras que estão paralisadas serão concluídas. O objetivo do governo é reduzir o prejuízo das pessoas que ainda não receberam seu imóvel. A reunião será às 9 horas com representantes do Judiciário, dos bancos credores e dos mutuários. Se houver acordo, a falência será decretada esta semana.
O juiz Everardo Alves Ribeiro, titular da Vara de Falências e Concordadas do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, já está examinando oito pedidos de falência. Ribeiro deve comparecer à reunião no Ministério da Justiça. Ele diz que a lei permite que a empresa mantenha atividades após decretada sua falência.
Dois dos principais credores da Encol, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil consideram a falência negociada a melhor solução para resolver a crise da Encol no menor prazo possível. O acordo em discussão prevê que os bancos credores não vão executar as dívidas vencidas.
Apesar de ser o Banco do Brasil o maior credor da Encol (R$ 180 milhões), o síndico da massa falida deverá ser indicado pela CEF porque a instituição já tem experiência na área habitacional. Os mutuários que ainda não receberam seu imóvel poderão ter que entrar com mais recursos para conclusão da obra. Mas a associação dos mutuários da Encol descartou a possibilidade de pagamento de novas parcelas pelos que já quitaram seus imóveis.
Para o advogado da associação, Mauro Bueno, esses pagamentos são absurdos. ‘‘Quem já quitou seu imóvel não pagará mais nada’’. A associação encaminha hoje uma carta ao presidente Fernando Henrique Cardoso em que solicita ‘‘empenho na apuração das responsabilidades dos envolvidos no caso’’.
A crise da construtora Encol está paralisando as vendas do mercado imobiliário. Levantamento feito em São Paulo pela reportagem junto a construtoras e imobiliárias mostra que nas últimas duas semanas - quando começaram a se agravar os problemas na Encol - o consumidor se retraiu e as vendas de apartamentos novos caíram. Neste último final de semana, algumas imobiliárias registraram queda de até 50% nos negócios. ‘‘O cliente agora pensa mil vezes antes de fechar a compra de um imóvel’’, afirmou Dora Alice Pires, diretora de vendas da Ação Imóveis.

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