Brasília O documento apresentado pelo presidente do conselho da Organização Mundial do Comércio (OMC), Carlos Pérez de Castillo, abriu um impasse para a rodada de negociações que ocorrerá entre os dias 10 e 14 de setembro em Cancún, no México. ''Nenhum documento apresenta consenso'', resumiu ontem o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. ''E, como as decisões da OMC dependem de consenso, há um sinal de pouca chance de avanço agrícola em Cancún.''
A falta de avanço na agricultura bloquearia qualquer outro tipo de negociação comercial. ''Ou se negocia agricultura ou não se negociada nada'', enfatizou. Para o ministro, ''pesa, a partir de hoje, uma nova e perigosa sombra'' sobre Cancún. A proposta de Castillo desagrada os países em desenvolvimento e ignora o acordo entre países, incluindo Brasil, Índia, China e Argentina.
Para o ministro, o documento apresentado por Castillo não é o ideal para o Brasil. ''O texto não é um documento que gostaríamos de apoiar, mas o que não podemos admitir é o fracasso das negociações agrícolas'', afirmou. Apesar da ''nova e perigosa sombra'' que ronda as negociações de Cancún, Rodrigues prevê que um impasse na rodada não é o fim. ''Se Cancún não evoluir, não significa que uma rodada acabou. A rodada será preservada de qualquer forma, mas seria muito interessante uma abertura clara no México'', afirmou.
A estratégia brasileira, adiantou, será a de insistir no documento elaborado conjuntamente com outros países. ''Nossa proposta representa países exportadores agrícolas importantes. Não é possível ignorar nossa posição'', afirmou.

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