ArquivoO ministro Porto, que chefia delegação brasileira na FAO‘‘É indispensável a liberalização do comércio mundial de produtos agropecuários para garantir a segurança alimentar global e elevar a renda dos países que têm nas atividades rurais parte significativa de suas receitas’’. Este foi o recado do ministro da Agricultura, Arlindo Porto, ontem, em seu pronunciamento durante a 29ª Conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação (FAO), que discute os caminhos para acabar com a fome no mundo.
O ministro que chefia a delegação brasileira lembrou que o processo de globalização é incompatível com o protecionismo adotado por alguns países desenvolvidos com relação aos produtos provenientes daqueles em desenvolvimento. A Conferência da FAO, que começou no dia 7, termina na próxima terça-feira, dia 18, conforme nota distribuída ontem pela assessoria da Imprensa do Ministério da Agricultura.
O ministro lembrou que no ano passado, representando o presidente Fernando Henrique Cardoso, na Cúpula Mundial da Alimentação, ele assinou o texto da Declaração de Roma sobre Segurança Alimentar mundial e o Plano de Ação que tem como compromisso reduzir à metade, até o ano 2015, o alarmante número de 800 milhões de pessoas que passam fome em todo o mundo. O governo brasileiro entende que este compromisso é possível, se os países continuarem na luta pela erradicação da pobreza e das desigualdades sociais, raízes do flagelo da fome e da desnutrição em escala mundial, segundo explicou o ministro Arlindo Porto.
O Brasil está fazendo sua parte, relatou o ministro. As estimativas indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) deverá alcançar US$ 90 bilhões, cerca de 12% do PIB global de US$ 777 bilhões. Somente o PIB do agronegócio deverá situar-se na casa dos US$ 300 bilhões, quase 40% do PIB global. Além disso, existe a preocupação do governo Fernando Henrique Cardoso de viabilizar a geração de empregos no campo.
O setor rural emprega atualmente 18 milhões de pessoas e, no agronegócio passa para 33 milhões de pessoas. O ministro Arlindo Porto lembrou os programas específicos para o campo, como é o caso do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que em 1996 beneficiou 315 mil famílias, e neste ano serão mais de 580 mil famílias. Outro programa é o Proger Rural, instituído em 1995, voltado especificamente para o produtor, para agroindústria e a cooperativa, para garantir a geração de emprego e renda no meio rural.

mockup