Ministro pede para empresariado produzir
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de junho de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
A crise que atinge o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com denúncias de ''mensalão'' e CPI dos Correios, não afeta a economia se a indústria não parar de produzir. O recado é do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, aos empresários londrinenses que participaram do Painel de Debates Riscos e Oportunidade do Cenário Econômico 2005/2006, realizado ontem no Hotel Crystal. Além do ministro, participaram do debate, o economista-chefe do Bradesco Octávio Barros e a representante da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) junto a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ezilda Furquim Bezerra.
Bernardo afirmou que o governo não fará mudanças na política e ''o melhor remédio nesse momento é o Brasil ser competitivo''.''O Brasil tem hoje condições econômicas satisfatórias. Estamos com a inflação controlada; está havendo esforço para o ajuste fiscal e temos resultado positivo na balança comercial. O Brasil está crescendo há oito semestres consecutivos'', informou Bernardo, pedindo aos empresários para que não parem de trabalhar. Ele garantiu que a redução das taxas de juros ''é um desafio'' que vai começar ''ainda este ano.''
A representante da Fiep traçou um cenário menos otimista sobre a economia. Os dados repassados por Ezilda divergem do posicionamento do ministro e do economista do Bradesco. De acordo com ela, sondagem indústrial realizada com 400 empresas mostrava que 85% dos empresários tinham expectativas favoráveis para 2005. Porém, no primeiro trimestre deste ano, o índice caiu para 54%. Outro aspecto ressaltado por ela é que o saldo da balança comercial de 1995 a 2000 foi negativo. ''Em 2003 houve equilíbrio e a tendência é que agora caia com o aumento das importações. Acreditamos que nos próximos meses haverá desequilíbrio, o que trará uma crise para a indústria'', afirmou Ezilda.
Para o ministro Paulo Bernardo, o crescimento das exportações amplia os nichos de mercado e fará com que a balança comercial feche com R$ 38 bilhões este ano. ''As exportações caminham de forma acelerada e esta é uma oportunidade do Brasil aproveitar esta abertura'', completou Otávio Barros.
Sobre as taxas de juros, Barros ''aposta'' que elas vão cair em torno de 5%. ''Daqui para frente a política monetária joga a favor do crescimento econômico'', afirmou Barros, acreditando que o Brasil vai crescer 3% este ano. Para Paulo Bernardo, o país também vive um novo ciclo de desenvolvimento e tem melhores bases macroêcoômicas do que os anteriores. ''Em 2002, quando Lula assumiu, se dizia que o dólar chegaria a R$ 6. Hoje, escutamos o setor industrial reclamar que o dólar está baixo'', comparou Bernardo. Por outro lado, Otávio Barros argumentou que o setor industrial deve estar preparado para ser competitvo a US$ 2,30. Ele prevê que a taxa de câmbio para o final do ano chegue no máximo a R$ 2,60.


