Josoé de CarvalhoPASSEIO NO PARQUEMinistro interino, Ailton Barcelos visita Expo 97 acompanhado pelo presidente da Rural, Neco GarciaO ministro interino da Agricultura, Ailton Fernandes Barcelos, disse ontem durante o lançamento da safra de trigo em Rolândia, que o governo não está preocupado com o impacto que a liberação das importações de trigo da Argentina e Uruguai irá provocar na produção interna. ‘‘No ano passado as condições eram mais adversas, o mercado estava completamente aberto e a produção de trigo cresceu, com a produtividade no Paraná atingindo 2,5 mil toneladas/hectare’’, disse.
Barcelos afirmou não acreditar em uma redução de área tão drástica quanto os números que vêm sendo mostrados pelos representantes dos produtores. ‘‘Eu sou mais otimista, não acredito que a queda na área do trigo atinja os 20%’’, disse. Segundo o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Hermas Brandão, com o anúncio da retomada das importações da Argentina, com prazo de 45 dias, a previsão de queda da área a ser ocupada pela triticultura no Estado ficou entre 20% e 25%.
O presidente da Corol, Eliseu de Paula, disse que a medida que amplia o prazo para importações de trigo argentino não é boa para o produtor. ‘‘O agricultor este ano não vai plantar trigo com aquela força de anos anteriores’’, afirmou. Segundo Eliseu de Paula, na área de atuação da Corol, o trigo deve manter nesta safra os mesmos 30 mil hectares do ano passado. Na safra retrasada, foram cultivados 56 mil ha de trigo na área de abrangência da Corol.
O diretor de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, afirmou que o País deve importar este ano cerca de 5 milhões de toneladas de trigo. O consumo do Brasil gira em torno de 8,5 milhões de toneladas do cereal. O ministro interino da Agricultura disse ainda que o governo não tem preocupação em atingir auto-suficiência na produção de trigo. ‘‘O que o governo busca é melhoria na produtividade e na qualidade da agricultura brasileira. Esta questão de auto-suficiência está muito ligada ao conceito de economia fechada’’, comentou.
Barcelos afirmou que o produtor de trigo terá este ano R$ 600 milhões para implantação da sua lavoura. O dinheiro já está à disposição dos agricultores a partir de hoje. Ele reafirmou a disposição do governo em garantir o escoamento da produção de trigo, através dos leilões de Prêmio de Escoamento da Produção (PEP), recursos para Aquisição do Governo Federal (AGF) e a utilização dos leilões de Contrato de Opção.
Após o lançamento da safra de trigo na Fazenda Marta, em Rolândia, o ministro interino da Agricultura visitou a 37ª Exposição Agropecuária e Industrial. Barcelos foi recebido pelo presidente da Sociedade Rural do Paraná, Manoel Campinha Garcia Cid, que apresentou as potencialidades agrícolas do Estado, destacando a retomada da produção de café e do desenvolvimento da sericicultura (bicho-da-seda) no Estado.

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