Ministro já admite 'importar' álcool
O ministro das Minas e Energia apoia o leilão quinzenal mas acha a medida não é suficiente para reduzir preços do álcool
JOGO DUROO ministo Tourinho, que vê formação de cartel por parte dos usineiros de álcoolAgências Folha e EstadoO ministro Rodolpho Tourinho (Minas e Energia) admitiu que o governo deve importar álcool hidratado para forçar a queda dos preços no mercado interno. Segundo ele, essa seria mais uma medida adotada pelo governo para acabar com a cartelização do álcool e a especulação de preços com o álcool
anidro.
Tourinho apoiou a decisão do Conselho Interministerial do Açúcar e do
Álcool de leiloar parte do álcool que integra os estoques reguladores do governo. A medida tem por objetivo forçar a queda de preços do produto no mercado interno, mas é insuficiente, segundo o ministro.
Tourinho afirmou que o tabelamento dos preços do álcool hidratado (vendido nos postos) está descartado. Ele disse que a redução da alíquota de
importação está em estudo.
Tourinho disse que o aumento de preços no álcool hidratado caracteriza um processo de cartelização por parte dos produtores. De acordo com ele, o
álcool poderia ter subido até 6% com a retirada dos subsídios governamentais, mas foram registradas altas de até 50%. O ministro afirmou que o governo não tem determinado um preço justo para o álcool hidratado, mas seria algo em torno de 75% do preço da gasolina.
O leilão quinzenal de 50 milhões de litros de álcool hidratado do estoque regulador do governo não será suficiente para reduzir os preços do produto, segundo o ministro. O Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool deverá determinar o aumento deste volume, caso constate que ele não está tendo efeito no mercado.
A determinação é fazer algo que dê resultado e se não funcionar com 50 milhões de litros quinzenais vamos ter de fazer com uma quantidade maior, explicou. Ele defendeu ainda o uso da importação de álcool e de combustíveis alternativos como armas para conter mais aumentos nos preços do álcool. Não podemos fazer a população pagar pela cartelização, no caso do álcool hidratado, e da especulação, em relação ao álcool anidro, que é misturado a gasolina. O ministro também admitiu que não funcionou a estratégia do governo de fazer com que BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, vendesse álcool mais barato, para tentar regular os preços do produto nos postos de combustíveis. A BR tentou conter a cartelização e a especulação, que desta vez se mostraram mais fortes, afirmou.
Temos apenas um terço do mercado dos postos de combustíveis, disse o ministro. Não conseguimos segurar o mercado com 33% dos postos e aí fomos forçados a voltar aos preços normais para garantir o abastecimento. Ele se referia à situação do Distrito Federal, onde a BR Distribuidora segurou os preços do álcool hidratado, sem reajustá-los. Segundo Tourinho, como a empresa tinha o álcool mais barato, passou a ter um volume de vendas tão grande que o produto sumiu das bombas.
O ministro garantiu que a BR continuará sendo uma arma do governo para tentar conter aumentos abusivos dos preços dos combustíveis. Ela será sempre usada, se for o caso e se isso for eficiente, como reguladora do mercado, afirmou, ressaltando, no entanto, o fato de a estatal ser uma empresa que não pode dar prejuízo a seus acionistas.
Ela tem um limite para dar exemplo, afirmou. A BR não tem condição de sozinha manter os preços. Quanto ao leilão do álcool estocado pelo governo, Tourinho defendeu que não haja limite no volume do produto a ser jogado no mercado. Deve-se usar a quantidade de estoque que for necessária para conter este movimento, disse. O governo tem um estoque regulador de cerca de 2 bilhões de litros. Ele afirmou que não deverá ser anunciado este ano o fim do subsídio ao álcool anidro. Restariam apenas alguns detalhes técnicos para o anúncio, mas como o ano já está quase no final, a decisão formal deverá ser tomada apenas no próximo ano.





