Brasília O ministro das Comunicações, Miro Teixeira, negou ontem que o governo esteja ameaçando as empresas de telefonia fixa ao propor uma negociação do reajuste das tarifas.
''O apelo é ao bom senso'', disse Miro. Segundo ele, não se pode chamar as empresas para a negociação dizendo que vai fazer isso ou aquilo. ''Aí vira ameaça, e ameaça é uma coisa ridícula, que não se faz.''
Na semana passada o ministro havia afirmado que, caso as empresas não aceitem negociar o IGP-DI, o aumento poderá não ocorrer necessariamente em junho, quando completam 12 meses depois do último reajuste. Pelo contrato de concessão das empresas, o reajuste não pode ocorrer em período inferior a um ano, mas não há prazo limite para que ele seja homologado.
Crítico da indexação das tarifas, o ministro quer evitar que o reajuste das contas telefônicas, previsto para junho, fique em torno de 34%, projeção feita pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para o IGP-DI, índice previsto nos contratos das concessionárias para o aumento das tarifas.
Na avaliação de Miro Teixeira, a economia brasileira está ''sofrendo os efeitos da indexação dos preços controlados''. Ele alertou que, aos poucos a economia está sendo reindexada, o que contribuiria para a aceleração do ''processo inflacionário''.
''Não vamos descumprir contratos em hipótese alguma'', garantiu o ministro. Ele disse que os primeiros contatos ''diplomáticos'' para ''renegociar'' o reajuste deste ano deverão ser feitos na próxima semana.

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