Ministro Furlan diz que política industrial será a longo prazo
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terça-feira, 16 de março de 2004
Lu Aiko Otta e Denise Chrispim Marin<br>Agência Estado 
Brasília - Boa parte das mais de 20 medidas do pacote sobre política industrial a ser divulgado até dia 31 não será adotada a curto prazo. O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, admitiu ontem que alguns tópicos nem saíram de sua pasta para serem apresentados às demais áreas de governo.
''Acreditamos que as coisas só vão acontecer se tiverem a cumplicidade e o comprometimento das diversas áreas do governo. Muitas vezes, isso significa demora maior'', disse o ministro Furlan.
A dificuldade de consenso das 22 áreas envolvidas na montagem da política industrial deixa dúvidas sobre as chances de Furlan incluir no pacote todas as medidas que considera essenciais para melhorar a competitividade nacional. ''Nem todas (as medidas) sairão. Elas sairão na medida que tenham condições de avançar. Podemos colocar o tema como está, ainda em fase de estudos, e não necessariamente as medidas práticas.''
O ministro insistiu que esse efeito não pode ser obtido sem o governo. ''Marcos regulatórios, redução de burocracia, melhora de eficiência, estímulo para os investimento não acontecem por inércia. Eles dependem da pilotagem do governo.''
Ele disse que uma ''pedra no sapato'' em quase todas as discussões são as rígidas posições do Ministério do Meio Ambiente. ''Todos queremos regras de meio ambiente de Primeiro Mundo. Mas a gente não vai chegar ao Primeiro Mundo só adotando regras de Primeiro Mundo.''
Incentivos - A definição da política de atração de fabricantes de semicondutores é uma das ações atrasadas. Segundo Furlan, o pacote de incentivos ainda não foi concluído e depende da localização geográfica das plantas - em princípio, a ST Microelectronics e a LG poderiam instalar-se no Brasil. Em outro setor da informática, o pacote deve conter medidas para explorar o potencial exportador dos fabricantes de software, a exemplo da Irlanda e da Índia.
Furlan quer a exclusão do faturamento de exportações das pequenas e microempresas do setor, para permitir que continuem a usufruir do Simples. ''Não faz sentido apertar o pescoço de um setor nascente de tecnologia de ponta.'' Segundo o ministro, o pacote de medidas deve ainda conter iniciativas para a modernização horizontal do parque industrial do País, sobretudo de pequenas e médias empresas.


