Curitiba - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, esteve ontem no Porto de Paranaguá. Anteontem o ministro disse a empresários, em Curitiba, que o governo federal está preocupado com a morosidade da exportação de soja no Paraná. O ministro revelou temor de que a fiscalização da soja transgênica fosse atrasar os embarques de soja convencional.
A preocupação do ministro é coerente, ontem foram apreendidos no Paraná 5 caminhões carregados com soja transgênica vinda do Paraguai.
Ontem o ministro não repetiu os comentários sobre a questão, se limitando a dizer que veio ao Paraná para se certificar das dificuldades do terminal de Paranaguá, da necessidade de ampliação da sua eficiência logística e de que maneira o governo federal pode contribuir com a administração do porto e com o governo estadual. Disse que ia apresentar um relatório ao presidente da República.
O superintendente do porto, Eduardo Requião, em resposta aos empresários, disse que não há problemas de exportação no porto. O que há, segundo ele, é interesse dos compradores internacionais em embarcar a soja paranaense. Prova disso são os 42 navios que estão esperando ao largo. Segundo Eduardo, se não houvesse interesse dos compradores esses navios não estariam no porto.
O superintendente do porto considerou positiva a iniciativa do governo federal em criar um porto seco em Ponta Grossa para evitar que a soja transgênica seja enviada ao Porto de Paranaguá. ''Como não há possibilidade da soja geneticamente modificada ser escoada pelo porto, é bom que haja uma estrutura para evitar esse transporte'', declarou.
Eduardo Requião vê outra vantagem no porto seco. Para ele, essa estrutura vai ajudar o porto que não tem estrutura de armazenagem de grãos, mas sim de fluxo para o escoamento da carga. A medida vai ao encontro de suas determinações onde a mercadoria enviada a Paranaguá deve estar contratada para venda e não fique armazenada nos silos ou em caminhões, como vinha ocorrendo em anos anteriores.
Para o assessor econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, a criação do porto seco só vai transferir as filas de caminhões de Paranaguá para Ponta Grossa. ''Haverá morosidade no escoamento da safra da mesma forma'', afirmou. Segundo ele, o que deveria haver é segregação da soja transgênica no porto e daí compra o produto quem quer. ''O governo do Estado não devia estar se metendo nisso que é assunto exclusivo dos produtores e das tradings'', salientou.
Para as cooperativas, a criação do porto seco não é suficiente para eliminar os problemas existentes no porto. Para o superintendente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Nelson Costa, as obras de ampliação do porto são urgentes para reduzir a fila de espera para embaque nos navios. Ele também defende que a soja geneticamente modificada seja segregada no porto, lembrando que os terminados privados estão aparelhados para fazer a separação dos grãos.

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