O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, admitiu ontem que a ''incompetência'' pode ser uma das responsáveis pelo foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e assumiu a responsabilidade do governo federal no controle da doença.
''Fizemos uma reunião inclusive com o presidente para explicar o que havia acontecido e foi mostrado que neste ano existem liberados R$ 90 milhões para a defesa sanitária e o Ministério da Agricultura gastou R$ 50 milhões. Temos alguns outros problemas de burocracia, de entrave, enfim, você pode chamar de incompetência, do que quiser, agora, com certeza não foi falta de recursos liberados. Acho que é fundamental averiguarmos o que houve, consertarmos o que foi feito e prevenir'', analisou o ministro, que esteve ontem em Londrina para assinar convênios que liberaram R$ 700 mil para entidades assistenciais. ''O ministro (da Agricultura e Abastecimento) Roberto Rodrigues mencionou na reunião que tivemos com o presidente que alguns estados não teriam recebido os recursos porque teria ocorrido o problema de inadimplência do órgão responsável e temos uma legislação que dificulta ou às vezes até impede o repasse se a entidade não prestou contas da última vez. O governo federal não quer se eximir da responsabilidade. Temos que tentar explicar claramente o que aconteceu e não ficar um apontando o dedo para o outro tentando fugir da responsabilidade'', concluiu.
Conforme Paulo Bernardo, o governo federal está trabalhando para que o embargo à carne bovina por países europeus se restrinja ao Mato Grosso do Sul. ''Já mandamos para a Europa uma equipe de técnicos do Ministério da Agricultura para mostrar que na verdade há um foco localizado. É possível através de um trabalho técnico, de divulgação de informações, de convencimento, restringir esse bloqueio a região afetada. Não tem nenhuma justificativa para não se comprar carne de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, em função do que aconteceu em um município do Mato Grosso do Sul'', defendeu.

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