Ministro estuda mudar forma de financiamento
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de agosto de 2006
Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Brasília - O Ministério da Agricultura quer mudar o sistema de financiamento da produção agropecuária para interromper a sucessão de crises e pacotes bilionários de ajuda ao setor. ''Esse modelo de sempre correr atrás das crises está muito oneroso'', disse o ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto.
Ele pretende deixar sobre a mesa um plano para o ano que vem em que privilegia instrumentos de mercado, como os Certificados de Depósito Agropecuário (CDA) e Warrant Agropecuário (WA), como principais instrumentos para garantir a receita do campo. Ambos são títulos transacionados no mercado futuro. ''É preciso que o ministério tenha uma postura mais ativa, de privilegiar fortemente os mercados futuros'', disse.
Na avaliação de Guedes, até o momento o Ministério da Agricultura vem atuando de forma reativa às crises do setor, ou seja, corre para garantir recursos quando os agricultores já estão em dificuldades. ''Determinei à Secretaria de Política Agrícola que faça um estudo, até o fim do ano, mostrando quanto têm custado ao governo essas crises'', disse.
Ele suspeita que elas tenham saído mais caro aos cofres públicos do que uma política mais estruturada, que atue antes de a crise ocorrer. ''Eu e o ex-ministro Roberto Rodrigues já conversamos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a esse respeito'', disse Guedes.
Aftosa - O ministro disse ontem que os pecuaristas tiveram grande responsabilidade no surgimento dos focos de febre aftosa diagnosticados no ano passado em Mato Grosso do Sul. ''Há grande responsabilidade do produtor neste e em outros casos. Há recomendações técnicas para que se vacine de duas a três vezes por ano. Naquela região, houve recomendação para uma terceira vacinação. Infelizmente nem todos seguem'', disse. O governo determina que os pecuaristas do Centro-Sul vacinem seus rebanhos duas vezes por ano, em maio e novembro.
Guedes Pinto afirmou que muitas vezes o pecuarista compra a vacina para ter uma nota fiscal, mas joga fora as doses. Outras vezes, segundo ele, o pecuarista compra só a nota fiscal. Para comprovar a vacinação, os pecuaristas precisam entregar o comprovante de compra da vacina ao órgão estadual de defesa sanitária. Eles dizem que não vacinam os animais porque os rebanhos perdem peso após a imunização, o que os obriga a manter os animais por mais tempo nas fazendas. Mas essa prática, ressalvou o ministro, está diminuindo.


