Brasília O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Carlos Ruckauf, entrou anteontem à noite em contato com seu colega brasileiro, o chanceler Celso Amorim, para declarar que o governo de seu país não está colocando em dúvidas a compra da venda da Perez Companc, a maior companhia argentina do setor energético, pela Petrobras. Com o telefonema, Ruckauf tentou contornar as reações provocadas pelas declarações de seu próprio superior.
Na manhã de anteontem, o presidente argentino, Eduardo Duhalde, declarou à imprensa que alimentava ''sérias dúvidas'' em relação à transação e que trataria do assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 14, quando visitará o Brasil.
''Temos pendente uma transferência de ativos da Perez Companc, sobre o qual teremos de conversar. Temos sérias dúvidas em alguns aspectos dessa operação'', afirmou.
As declarações de Duhalde causaram surpresa na imprensa, que nem sequer o questionara sobre o assunto, e à própria cúpula da Perez Compac, que teme o veto do governo local a essa operação, de US$ 1,182 bilhão, fechada em janeiro de 2002.
Conforme o porta-voz do Itamaraty, Ricardo Neiva Tavares, Amorim pediu imediatamente ao embaixador brasileiro em Buenos Aires, José Botafogo Gonçalves, que tentasse esclarecer o fato.
Ruckauf ligou para Amorim para fazer dois esclarecimentos. O primeiro, que ''as declarações do presidente Duhalde não punham em dúvida a operação de compra da Perez Companc pela Petrobras''. A segunda, que Duhalde ''não se referia ao setor de petróleo''.

mockup