Ministro e técnicos vêem 'alarmismo' nas projeções
O ministro da Justiça, José Gregori, afirmou ontem que não há razão para o clima de pré-desespero em relação ao racionamento de energia, que será implementado no Brasil, a partir de junho. O ministro criticou os dirigentes de indústrias que estão anunciando a possibilidade de demissão de funcionários por causa do racionamento. Gregori citou reportagem que viu na televisão de um brasileiro com moradia modesta, trazendo soluções para economizar luz, e em seguida a imagem de um dirigente de uma indústria, dizendo que teria que demitir funcionários. Para o ministro, o povo dá o maior exemplo de como administrar e sair da crise. Acho que não há razão para esse clima de pré-desespero, de sofrimento antes da hora, afirmou Gregori.
O coordenador da pesquisa de preços da Fipe, Heron do Carmo, classifica de prematuras as análises sobre o impacto do racionamento de energia elétrica sobre a economia do País. De acordo com Heron, é certo que os cortes de energia vão afetar o ritmo de crescimento do PIB, os preços ao consumidor e o nível de empregos, entre outras variáveis econômicas. Mas mensurar o quanto o PIB vai deixar de crescer e o quanto o emprego vai ser afetado é impossível, disse Heron, referindo-se às análises que já projetam um impacto negativo de 1% sobre o nível de atividade econômica do País.
O vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Carlos Carvalho disse ontem que os economistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) irão pedir desculpas à Nação por terem emitido opiniões assustadoras sobre a recessão da economia nacional em função do racionamento de energia elétrica. Carvalho, que não acredita que o cenário desenhado pela fundação vai se consolidar, criticou a postura da entidade neste período em que o setor elétrico atravessa a pior crise dos últimos 40 anos.





