Ministro do Uruguai prevê PIB 7% menor
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terça-feira, 25 de junho de 2002
Agência Estado 
Montevidéu - O ministro de Economia do Uruguai, Alberto Bensión, anunciou ontem que o governo espera para este ano uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de até 7% e uma inflação de 12%. O ministro uruguaio falou aos jornalistas depois de explicar a uma comissão parlamentar a sua decisão de modificar a política monetária, substituindo o regime de bandas cambiais por um sistema de livre flutuação do dólar. O anúncio de Bensión foi feito ao mesmo tempo em que a diretoria executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgava a aprovação de uma ajuda adicional de US$ 1,5 bilhão ao país, com utilização imediata de US$ 508 milhões, para enfrentar o contágio da crise argentina. Ontem, o ministro da Economia voltou a negar os boatos sobre a sua renúncia.
As novas metas anunciadas pelo ministro substituem a expectativa de inflação de 9,9% e de queda do PIB de 2,5% neste ano, incluídas na carta de intenções firmada em março com o FMI, ao aprovar um crédito de US$ 726 milhões para o Uruguai. Nos primeiros meses do ano, o país viu seus indicadores despencarem, com queda de 40% em suas reservas financeiras, de 28,8% nos depósitos bancários em moeda estrangeira, de 10% do PIB (no primeiro trimestre) e de 4% do poder aquisitivo dos trabalhadores. Em movimento ascendente, o risco país, que indica a desconfiança na capacidade de pagamento da dívida, atingiu anteontem 1.302 pontos, o segundo maior da história do Uruguai.
Com a decisão de adotar a livre flutuação da moeda em relação ao dólar, o país abandonou uma política de bandas cambiais vigente há cerca de 11 anos. O anúncio da liberação do câmbio amanhã levou o peso uruguaio a se desvalorizar mais de 20%, recuando em seguida a 16,2% e se mantendo estável desde então. A desvalorização da moeda provocou aumento de preços de produtos de consumo popular (carne, açúcar e farinha), o que produziu uma onda de preocupação no país, com pedidos de controle da inflação, vindos de setores políticos e associações de consumidores.
Falando aos jornalistas, o ministro Alberto Bensión se manifestou contra o controle de preços, mas assinalou que, em caso de ser necessário, o governo poderia chegar a fixá-los administrativamente.
O Uruguai atravessa seu quarto ano de recessão, iniciada em janeiro de 1999 com a desvalorização do real no Brasil, um de seus maiores mercados, e se acentuou com a crise argentina, outro dos principais compradores de seus produtos. Desde então, o PIB do país caiu 2,8% (1999), 1,4% (2000) e 3,1% (2001).


