Carmem Murara
O ministro da Indústria e Comércio do Paraguai, Guilhermo Caballero Vargas, afirmou ontem que os países que compõem o Mercosul precisam definir uma mesma política macroeconômica para que o mercado comum possa sobreviver. ‘‘Somos apenas uma união de livre comércio. Temos que ter uma convergência macroeconômica’’, afirmou Vargas, que esteve ontem em Curitiba para participar da 1ª Reunião Plenária do Conselho Empresarial Brasil-Paraguai, evento promovido pelo Ministério das Relações Exteriores e que contou com o apoio da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).
Vargas defendeu o Mercosul mesmo diante dos abalos econômicos sofridos em decorrência da desvalorização da moeda brasileira. O ministro avalia que a desvalorização do real, em janeiro, não provocará o efeito devastador no Mercosul que previram analistas econômicos dos países que integram o mercado comum. O desequilíbrio na balança comercial dos quatro países Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai viria pelo aumento exagerado das exportações brasileiras para estes países. Segundo Vargas, o crescimento nas exportações não será tão significativo, pois o mercado brasileiro absorverá o aumento da produção nacional.
Vargas lembrou que em fevereiro, quando o Brasil ainda se acostumava com a recente desvalorização, a previsão era de que o País atingiria um superávit na balança comercial de R$ 12 bilhões. Os números caíram para R$ 3 bilhões, numa segunda avaliação. O Paraguai exporta para o Brasil 25,5% de todos os produtos que são comercializados no exterior, o que representou US$ 296 milhões no ano passado. O ministro da Indústria e Comércio afirmou que houve uma queda média de 65% no volume de exportação para o Brasil após a desvalorização. O intercâmbio comercial (exportações e importações) entre os dois países totalizou US$ 1,2 bilhão em 1998.
A primeira reunião do conselho empresarial serviu ainda para que empresários dos dois países estreitassem as relações comerciais e aumentassem a integração entre Brasil e Paraguai. O ministro de Obras Públicas e Telecomunicações, José Alberto Planas, apresentou o programa paraguaio de privatização, mostrando a possibilidade de empresas e consórcios brasileiros participarem do processo. ‘‘Estamos desmopolizando e para se ter uma idéia vamos dar a concessão de 2,5 mil quilômetros de rodovias até 2003’’, afirmou.
Após sair de uma crise política que culminou com a morte do vice-presidente Luis Maria Arganha, em março deste ano, o Paraguai tem interesse em receber investimentos industriais do Brasil. ‘‘Temos um plano de incentivos amplo e generoso com isenção de impostos para as indústrias que queiram ir para o Paraguai’’, propagandeou o ministro da Indústria e Comércio, Guilhermo Caballero Vargas.

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