Brasília O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, negou ontem que o governo já tenha decidido não renovar o acordo em vigor com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Esta possibilidade foi publicada ontem pelo jornal Gazeta Mercantil, que sustentava que o ministro anunciaria à missão do FMI que está no Brasil que esta seria sua última visita ao País. Mas a informação foi desmentida tanto pelo governo quanto pelo chefe da missão do Fundo, Jorge Márquez-Ruarte.
Por intermédio da assessoria de imprensa, Palocci disse que essa não é a última missão dentro do acordo em vigor. O contrato prevê mais duas visitas: em julho e em outubro, para a liberação de parcelas programadas para 8 de agosto e 7 de novembro. O programa do FMI com o Brasil vai até dezembro.
Palocci informou, ainda, que não é o momento de discutir se o contrato entre Brasil e o Fundo será prorrogado. Segundo sua assessoria, essa é uma discussão ''inapropriada'' no momento. O ministro reiterou que a relação do atual governo com o FMI está sendo bastante construtiva e pode ser qualificada como ''excelente''.
O bom relacionamento pode ser atestado pelos elogios dos integrantes do FMI à condução da política econômica e pelo fato de Palocci ter ido à sede da instituição, em Washington, agradecer ajuda ao País. O que o ministro tem declarado desde janeiro é que, sob seu ponto de vista, o ideal é o Brasil não precisar mais dos empréstimos do FMI.
Isso não tem relação com um eventual rompimento, mas com o desejo de que a economia fique forte o suficiente para dispensar ajuda. Nesse sentido, o desejo de Palocci é partilhado pelo FMI.
Ruarte afirmou não ter conhecimento de notícia sobre a intenção do governo de não renovar o acordo. ''Não tenho nenhuma notícia disso'', disse ao deixar o Banco Central, onde esteve reunido com o presidente da instituição, Henrique Meirelles, e com os diretores Ilan Goldfajn (Política Econômica), Luiz Augusto Candiota (Política Monetária) e Beny Parnes (Assuntos Internacionais).
Durante o encontro, segundo relato do diretor do FMI, foram discutidos todos os aspectos da macroeconomia, e ''está tudo bem''. Sobre a possibilidade de o governo brasileiro adiar o pagamento da primeira parcela do empréstimo de US$ 30 bilhões aprovado em 2002, que vencerá nos próximos meses, Ruarte disse que a questão não foi discutida. Segundo Ruarte, o primeiro pagamento que o governo terá de fazer é de pouco mais de US$ 4 bilhões.

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