O ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, disse ontem aceitar um debate com a oposição sobre a venda do sistema Telebrás. ‘‘Façam uma comissão de quatro pessoas que eu os recebo quando quiserem para um debate técnico’’, afirmou em depoimento na Comissão de Comunicações da Câmara dos Deputados. Ontem, após quase seis horas de discussão na Comissão, Mendonça de Barros reclamou que foi pouco inquirido. ‘‘Saio desta reunião decepcionado’’, afirmou. ‘‘Eu esperava, e vim preparado para isto, que houvesse um grande debate.’’
Segundo ele, sua expectativa era que o encontro com a oposição fosse ‘‘uma guerra’’, na qual ele poderia ser até ‘‘linchado’’, principalmente depois das críticas feitas na véspera ao processo de venda de ações das empresas telefônicas de Ribeirão Preto (Ceterp) e de Londrina (Sercomtel), conduzido por administrações do PT e do PDT.
Mendonça de Barros afirmou que, se for comparado o valor das ações por terminal instalado, as prefeituras das duas cidades venderam parte das empresas por um valor muito abaixo do padrão nacional e internacional. Ele chamou o ex-prefeito de Ribeirão Preto, Antônio Palocci, atual presidente do diretório do PT em São Paulo, de ingênuo. ‘‘O prefeito foi enrolado’’, disse. ‘‘Mas não vejo nenhum tipo de dolo, ele fez apenas um mau negócio’’, afirmou em tom de ironia.
Segundo Barros, o setor de telecomunicações vai criar 100 mil empregos nos próximos sete anos. Os postos de trabalho serão criados principalmente nas novas empresas que surgirão para concorrer com as ex-estatais, disse.
Na JustiçaA Advocacia Geral da União (AGU) entrou ontem no Superior Tribunal de Justiça (STJ) com pedido de suspensão de duas liminares que cancelam a assembléia da Telebrás que dividiu a empresa em 12 holdings para efeito de privatização. As liminares foram concedidas pela Justiça Federal em São Paulo em ações civis públicas impetradas pelo Ministério Público Federal e pelo Sindicato dos Trabalhadores em Atividades Diretas e Indiretas em Pesquisa e Desenvolvimento em Ciência e Tecnologia de Campinas e Região. O pedido poderá ser despachado hoje ou amanhã, pelo presidente do STJ, ministro Pádua Ribeiro.

mockup