Ministro diz que Brasil sofrerá retaliações
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sexta-feira, 04 de abril de 2003
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
Diante da crescente participação do Brasil no mercado agrícola internacional, o País tem que estar preparado para enfrentar retaliações dos concorrentes. A afirmação é do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, que participou ontem, da abertura oficial da 43 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina.
''O Brasil cresce às custas das perdas dos países ricos, que são os principais concorrentes. Eles vão dar o troco'', afirmou, referindo-se à imposição de barreiras comerciais aos produtos brasileiros. ''Não basta ser competitivo, é preciso haver regras claras nas mesas de comércio internacional'', enfatizou.
Ele também comentou que a agricultura é o item prioritário nas negociações internacionais. ''O governo prefere que não haja acordos, a fazer acordos que contrariem nossos interesses'', disse. Ainda com relação ao mercado externo, Rodrigues considera que o período pós-guerra será favorável ao Brasil, já que a União Européia pode adotar uma postura de retaliação aos EUA, abrindo seus mercados. ''Há chances de flexibilização'', acredita.
Neste ano, o País colheu a safra recorde de 112 milhões de toneladas de grãos. Exportou US$ 7,8 bilhões de dólares em soja, superando, pela primeira vez, as vendas externas dos Estados Unidos. Nos últimos 13 anos, de acordo com o ministro, a área agricultável brasileira cresceu 13% enquanto a produtividade aumentou 74%. ''O presidente Lula reconhece esses dados e considera a agricultura como prioridade absoluta do governo'', afirmou.
O ministro anunciou, na solenidade, que o seguro rural deve ser implantado no Brasil ainda este ano. ''Somos o único país agrícola importante que não tem seguro'', disse. A viabilização do benefício depende da aprovação de uma lei criando o serviço e da elaboração do regulamento da lei, fase que Rodrigues considera mais trabalhosa de finalizar.
Como é preciso determinar a competência do governo, dos bancos e das seguradoras, o ministério convidou as entidades representativas dessas instituições para elaborar as regras. A idéia, segundo ele, é utilizar o modelo de seguro adotado em países desenvolvidos.
Questionado sobre a questão da liberação dos transgênicos no Brasil, o minsitro da Agricultura informou que o governo reconhece a existência de um valor expressivo de soja geneticamente modificada no País e que, por isso, decidiu viabilizar o escoamento da safra deste ano. Salientou, porém, que o plantio continua proibido enquanto houver ação judicial impedindo o cultivo. Ele não esclareceu, entretanto, sobre a implantação de um sistema de fiscalização eficaz para evitar o problema.


