Ministro descarta medida para 'segurar' câmbio
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quinta-feira, 12 de julho de 2007
Ribamar Oliveira<br> Agência Estado 
Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou ontem o uso de medida para restringir a entrada de capitais externos no Brasil e, com isso, impedir uma maior queda do dólar, que ontem fechou em R$ 1,87, a menor cotação desde 17 de outubro de 2000. Mantega disse que é preciso tomar cuidado com essas medidas porque elas poderão trazer mais prejuízo do que benefício. ''Não podemos colocar em risco o que já conquistamos'', afirmou.
Ele citou o caso da Colômbia, que recentemente estabeleceu um compulsório sobre a entrada de capitais estrangeiros e obteve um resultado oposto ao que pretendia. ''Eles se deram mal, pois a decisão não evitou a valorização da moeda colombiana e provocou uma grande turbulência no mercado'', observou.
A Rússia foi outro exemplo lembrado por Mantega. Segundo ele, o governo russo elevou os tributos sobre o petróleo e, com os recursos, criou um fundo destinado a ajudar os setores afetados pelo câmbio. ''Mais vai ver a inflação que tem lá'', disse aos deputados que participavam da audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação.
Mantega disse que a valorização da taxa de câmbio é um fenômeno mundial que preocupa a quase todos os governantes. Ele lembrou que o euro - moeda da União Européia - atingiu esta semana a sua maior cotação frente ao dólar.
Para o ministro da Fazenda, a atual valorização do real é efetivamente um problema. ''O problema do câmbio existe, não vamos negar. Mas ele decorre de uma virtude da economia brasileira. Estamos pagando o preço do bom desempenho do comércio exterior'', disse.
Estratégia - O ministro Guido Mantega, afirmou ontem que o crescimento moderado da economia brasileira nos últimos anos foi uma estratégia do governo para evitar uma crise de energia elétrica, como a que está ocorrendo atualmente na Argentina. Desde terça-feira, o país tem registrado apagões em várias regiões. ''Nossa estratégia foi crescer mais moderadamente e com equilíbrio para não termos pontos de estrangulamento'', disse ele, durante audiência na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.
No primeiro mandato do presidente Lula, o crescimento médio da economia brasileira foi de 3,36%, enquanto que a Argentina registrou taxas de expansão entre 7% e 10% no mesmo período. ''Não podemos cometer o erro que outros países fizeram, crescendo mais do que poderiam. Dar um passo maior do que a perna. O Brasil não vai dar um passo maior do que a perna'', afirmou.
Inicialmente, em seu depoimento, Mantega não citou a Argentina como um dos países que cresceram em ritmo acima do que poderiam. Durante os debates, no entanto, ele deixou a comparação explícita. ''Posso garantir que não haverá problema de energia, pois temos plano A, plano B e plano C. Nas áreas hidrelétrica, termelétrica e nuclear. Vamos garantir a oferta de energia para um crescimento de 5%. Não vai acontecer no Brasil o que está acontecendo na Argentina'', disse.


