BRASÍLIA - O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, descartou ontem a possibilidade de repetir o provão, especialmente no Rio de Janeiro, foco de maior ação da União Nacional dos Estudantes (UNE) e onde ocorreram tumultos nos colégios onde as provas foram realizadas.
O MEC, entretanto, promete avaliar os casos dos formandos de engenharia civil, direito e administração que foram impedidos de realizar o exame, e estes sim poderão até receber o diploma.
Ontem, Paulo Renato acusou o deputado Lindberg Faria (PC do B-RJ) de atuar como ‘‘agente provocador’’. ‘‘No Rio, houve um caso especial, com o propósito de tumultuar; tivemos invasão de prédio e agressão de funcionários’’, afirmou, irritado, o ministro.
‘‘Foi um ato de provocação irresponsável’’, criticou Paulo Renato, considerando ‘‘lamentável’’ o comportamento de parlamentares ‘‘que participaram da discussão da lei no Congresso e foram derrotados’’.
O ministro eximiu o MEC de qualquer responsabilidade pelo eventual prejuízo a alunos interessados em participar.
De acordo com a secretária de Formação e Avaliação do MEC, Maria Helena Guimarães Castro, caso o formando se considere prejudicado, deve enviar ao ministério um recurso com o boletim de ocorrência, mostrando que foi impedido de realizar a prova.
Além do Rio de Janeiro, o ministério também detectou problemas em Minas Gerais, onde alguns formandos não constavam da lista de nomes dos que deveriam fazer a prova. Quem, porém, faltou simplesmente ao provão ficará sem diploma até o próximo exame. Poderá receber, apenas, o certificado de conclusão do curso.
O ministro afirmou que não receberá o deputado Ricardo Gomide (PC do B-PR), que pretendia entregar um pedido de anulação do provão no Rio de Janeiro. ‘‘Não tem a menor possibilidade’’, sustentou.
No Rio de Janeiro, o deputado Lindberg Faria anunciou que pretende entrar na Justiça para garantir a realização de um novo exame entre os formandos cariocas.
‘‘Vou usar cenas da própria entrevista concedida hoje (ontem) pelo ministro para mostrar que ele admite que 20 minutos antes da prova seis exemplares já estavam nas mãos dos estudantes’’, afirmou.
Segundo o ministro, as provas teriam sido arrancadas das mãos de uma funcionária da Cesgranrio.

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