O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, participa hoje, às 8 horas, em Londrina, da solenidade de assinatura de criação de dois assentamentos destinados a 540 famílias, no total de 7.312 hectares, no Distrito de Lerroville (Zona Sul). Em entrevista à FOLHA, por telefone, Cassel anunciou a liberação de R$ 2,3 bilhões para a safra 2010/2011 no Estado por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e defendeu que o cumprimento das ações judiciais de reintegração de posse de áreas ocupadas devem ser feitas mediante diálogo, com participação de ouvidoria agrária, para evitar situação de violência.
Cassel desembarca no Norte do Estado em meio a um clima tenso, dois dias após um confronto entre policiais militares e trabalhadores sem terra durante operação de reintegração de posse em fazendas na região de Alvorada do Sul. o conflito deixou diversas pessoas feridas (leia mais na página 6). Questionado se houve excesso por parte da Polícia, o ministro preferiu ''não emitir nenhum juízo'' sobre o caso. ''O que digo é que é importante criar um processo civilizado, de conversa, que envolva a Polícia, o Poder Judiciário, o Ministério Público, os movimentos sociais, a auditoria agrária. Sempre que fazemos desse jeito, dá certo. Não precisa Polícia atirando, com cachorro e com revólver, para tirar as pessoas das áreas'', disse.
Na opinião de Cassel, a reforma agrária ''andou bem'' no Paraná durante o governo Lula - desde 2007 foram assentados no Estado 7,7 mil famílias, em 43 áreas, com 87 mil hectares. Prova disso, segundo o ministro, está na ''diminuição de conflitos fundiários que se arrastam por anos e anos''. Conforme Cassel, o segundo mandato o governo Lula não traçou metas para a reforma agrária, pois o objetivo foi solucionar esses focos de conflito e investir na qualificação dos assentamentos já existentes.
Os dois assentamentos que serão criados hoje em Lerroville - em cerimônia que contará também com a presença do presidente do Incra, Rolf Hackbart - receberão investimentos iniciais de R$ 25 milhões, neste ano, para a instalação das famílias e estímulo da produção. A aquisição da área, segundo Cassel, custou R$ 78,3 milhões.
As fazendas Guairacá (com 5.826,52 hectares) e Pininga (com 1.486,54 hectares), que serão transformadas nos assentamentos ''Eli Vive 1 e 2'', pertenciam a um único proprietário (Fernando Avelino Corrêa). Juntas, elas formavam a maior fazenda da região de Londrina. As áreas foram avaliadas por técnicos do Incra como de ''ótimo potencial produtivo''. A expectativa é que sejam gerados 2.100 empregos diretos.
''As famílias já estão sendo selecionadas e o próximo passo é individualizar os lotes e definir com os assentados um programa de desenvolvimento'', adiantou o ministro, informando que o processo de instalação dos assentamentos deve ser concluído em um ano.
Pronaf
A agricultura familiar do Paraná, segundo Cassel, está entre as mais produtivas do País - o Estado possui mais de 300 mil propriedades familiares, o que representa 81% do total de estabelecimentos rurais. Ele disse que os R$ 2,35 bilhões liberados nesta safra serão destinados a contratos com, pelo menos, 220 mil famílias.
O ministro lembrou que o programa federal Mais Alimentos - que prevê a modernização acelerada da agricultura familiar, por meio de linha de crédito de até R$ 130 mil por família, com 2% de juro ao ano, três anos de carência e dez anos para pagar - assegura a compra de implementos agrícolas e caminhão, e agora vai permitir a aquisição de colheitadeira. ''É uma nova modalidade de operações coletivas de até R$ 500 mil'', disse.

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