Brasília - O ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB-MG), defendeu ontem, em audiência pública na Câmara dos Deputados e em entrevista no Palácio do Planalto, a adoção do padrão japonês (ISDB) de TV digital no Brasil. ''O sistema japonês atende perfeitamente às quatro imposições que nós fazemos para a TV digital no Brasil: alta definição, portabilidade, mobilidade e interatividade no mesmo canal'', disse, após participar de reunião sobre o tema no Palácio do Planalto.
Costa afirmou que as instituições de pesquisa que participaram do processo para escolha do sistema de modulação indicam o padrão japonês. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ''fazer um gol de placa'' ou ''chutar para fora'' quando for decidir a questão. Até o final da semana, Costa e os ministros Antonio Palocci Filho (Fazenda), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) e Dilma Rousseff (Casa Civil) recebem propostas dos representantes dos padrões japonês, europeu (DVB) e norte-americano (ATSC).
O padrão japonês também é o preferido entre algumas emissoras de televisão, entre elas a Globo e o SBT, que já se manifestaram publicamente a esse respeito.
Ontem, na Câmara, Costa comentou o fato de ser criticado por defender o interesse dos radiodifusores. ''Quando dizem assim ''ah, o senhor defende muito os radiodifusores, os teledifusores', sim, não só porque eu sou do setor (ele é jornalista), com muita honra, mas sobretudo porque vejo, nas minhas andanças políticas no Brasil inteiro, que a televisão ainda é o grande instrumento de diversão popular praticamente gratuito''. Para Costa, o governo pode fazer outra opção, diferente do padrão japonês, mas ela seria política.
Ainda na Câmara, o ministro disse que o governo pretende gastar R$ 650 milhões do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) neste ano. Os recursos fazem parte de uma emenda da Comissão de Ciência e Tecnologia ao Orçamento. Segundo Costa, o ministério encaminhou ao Tribunal de Contas da União (TCU) documento detalhando a forma como os recursos serão utilizados. O Fust é composto de 1% da receita bruta das empresas de telecomunicação e, apesar do saldo de aproximadamente R$ 3,8 bilhões, nunca foi usado.
Segundo o ministro, entre os projetos que podem ser financiados pelo fundo estão a implantação de telefones em escolas rurais e subsídio para redução da conta mensal, para o acesso a internet.

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