Ministro defende novo modelo econômico
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terça-feira, 01 de setembro de 1998
Agência Folha 
Em entrevista ao Jornal de Brasília , o ministro das Comunicações, Luis Carlos Mendonça de Barros, defendeu um novo modelo econômico para o País em um segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Ele afirmou que o governo deveria se preparar para depender menos do capital externo e defendeu uma redução nas importações. Afirmou também que nem tudo o que o PT defende é ruim. Mendonça de Barros é ligado ao ministro José Serra (Saúde), que, desde quando exercia a função de ministro do Planejamento, no início do governo FHC, criticava a política cambial comandada pelo ministro Pedro Malan (Fazenda) e pelo presidente do Banco Central, Gustavo Franco.
Além de Serra, outros ministros criticam a política de Malan e Gustavo Franco: Bresser Pereira (ex-Administração, atualmente tesoureiro da campanha de FHC), Paulo Renato (Educação) e Sérgio Motta (Comunicações, morto neste ano e amigo de Mendonça de Barros).
O mesmo grupo pretende cobrar do presidente FHC, em um eventual segundo mandato, mudanças no modelo de desenvolvimento do País. Assessores ligados a esses ministros consideraram, porém, inoportunas as declarações de Mendonça de Barros. Segundo eles, não se pode questionar a atual política econômica enquanto perdurar o cenário de crise financeira internacional. Tampouco falar em mudanças no câmbio.
O presidente já conversou com integrantes desse grupo sobre alterações na política econômica em um eventual segundo mandato. FHC teria respondido, durante a conversa, que ainda não está convencido da necessidade de se modificar o modelo atual, reiterando seu apoio a Malan e Gustavo Franco. Tanto que já os convidou para permanecer num eventual segundo mandato.
O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), criticou ontem o ministro Mendonça de Barros por sua posição. Segundo ACM, o objetivo do ministro foi o de atender a seu desejo pessoal ou ao de terceiros . Para o senador, Mendonça de Barros tornou públicas divergências internas do governo que não poderiam ser expostas, especialmente num momento de crise econômica como o atual. O senador ficou surpreso ao tomar conhecimento das declarações do ministro. Tenho a maior admiração pelo ministro, mas quando ele, para atender a seu desejo pessoal ou ao de terceiros, faz uma declaração dessa ordem, não serve nem ao País nem ao governo Fernando Henrique , disse ACM. O senador não citou o nome dos terceiros aos quais o ministro estaria querendo atender.
Ontem ACM disse que o governo não pode apresentar divergências públicas, principalmente nos momentos mais difíceis . Para o senador, é natural que haja divergências internas no governo, mas não é salutar torná-las públicas . O senador afirmou que achava louvável a atuação de Mendonça de Barros no Ministério das Comunicações. Mas, para falar de economia, ele ainda não tem a habilidade necessária que o cargo de ministro exige, o que só se ganha com o tempo. Foi uma inabilidade , disse ACM. Apesar das críticas, o presidente do Senado reafirmou o apoio ao nome de Mendonça de Barros para ocupar um ministério em um futuro governo de FHC encarregado de projetos especiais, entre eles o combate à seca.


