Curitiba - Para o ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Daniel Vargas, o Brasil tem uma política de fomento à produção focada nas grandes indústrias e oferta poucos incentivos ao micro, pequeno e médio empreendedor. Vargas defendeu mudanças na política de financiamento e fomento destinadas a empreendimentos de pequeno e médio porte, parte dos quais ainda está na informalidade.
''Temos uma legião de empresas que estão à sombra da economia nacional e que amargam atraso em relação ao desenvolvimento tecnológico'', destacou. O ministro esteve ontem reunido com o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha Loures, e empresários paranaenses para discutir as medidas necessárias para estimular o empreendedorismo de pequeno porte no país.
Durante o encontro, Vargas discutiu propostas que deverão compor um plano nacional de estímulo ao empreendedorismo. ''As políticas que temos são descordenadas. O presidente Lula está determinado a mudar isso'', destacou. O ministro está em viagem pelo Brasil para coletar informações sobre realidades locais e projetos inovadores para uma proposta que consiga consolidar iniciativas que beneficiem o setor.
''O desafio é garantir crédito barato para que as empresas possam investir e ganhar robustez'', explicou. Segundo o ministro, para a pequena e média empresa os financiamentos são mais caros. ''A grande empresa tem mais garantias'', apontou. O Fundo Garantidor, proposta que será discutida no Senado poderá contribuir para resolver o problema. ''Com isso o governo poderá dar aval a empréstimos realizados para o pequeno empresário'', disse.
O Fundo deve contribuir para o aumento do crédito para microempresas. Em empreendimentos de maior porte, Vargas defende a disponibilização de crédito a fundo perdido para que empresas de tecnologia possam ampliar seu potencial. E a viablização de financiamento que contribuam para o aumento da robustez de empreendimentos de médio prazo. ''Essa linha de crédito poderá inclusive permitir que as empresas conquistem a força necessária para negociar suas ações na bolsa'', explicou.
Para Vargas, outro grande desafio do país é garantir um sistema de fomento à inovação tecnológica que consiga colocar seus resultados no mercado ao mesmo tempo que consegue identificar novas demandas. ''No agronegócio, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) tem papel decisivo para permitir que na ponta tenha acesso a essa tecnologia'', destaca.
Já no setor industrial, diz o ministro, ainda não há instituições que cumpram esse papel. ''No setor industrial estamos um passo atrás. Temos que ter uma instituição capaz de realizar o mesmo trabalho de ponte entre a pesquisa e o mercado'', adiantou.

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