Após semanas de silêncio, o ministro Jorge Remes Lenicov afirmou que ‘‘há setores que conspiram contra o plano econômico, porque preferem a dolarização para manter seus privilégios’’.
Segundo ele, não se pode acreditar que empresas e bancos estrangeiros vão deixar ‘‘um país pelo que ocorre em 15 dias’’.
É uma clara menção às empresas privatizadas, que são concessionárias de serviços públicos, como eletricidade, água e esgoto. Elas tiveram suas tarifas convertidas de dólares para pesos na paridade de um a um. Todas reivindicam aumentos.
Ontem, o diário ‘‘Página 12’’ publicou uma reportagem na qual aponta que os bancos HSBC, BankBoston e Citibank estariam dispostos a trazer de suas matrizes dólares para pagar os depositantes na Argentina, em troca de ficar com os bancos menores que não pudessem fazer o mesmo e também de que o governo promovesse a fusão de bancos estatais, como forma de acabar com o curralzinho.
Recuperação – O ministro argentino da Produção, José Ignacio de Mendiguren, afirmou ontem que a Argentina vai se recuperar, como aconteceu com Brasil e Rússia.
Para avaliar a experiência brasileira e tratar de assuntos relacionados ao Mercosul, além do impacto da desvalorização argentina no bloco regional, De Mendiguren se reunirá hoje com o embaixador do Brasil na Argentina, José Botafogo Gonçalvez.
O ministro afirmou que ‘‘todos os países voltam a crescer depois de um lógico período de convulsão’’, citando como exemplos os casos do Brasil e Rússia, que atravessaram crises econômicas ‘‘muito fortes’’, mas conseguiram superá-las.
O Brasil desvalorizou o real em 1999, e a Rússia fez o mesmo com o rublo um ano antes.
A respeito do Brasil, De Mendiguren afirmou que após uma ‘‘desvalorização econômica e fuga de investimentos, o país produziu sua modificação econômica e voltou a ser rentável’’.
‘‘Isto quer dizer que depois destas medidas que devemos tomar, de obter a modificação para o câmbio competitivo, a Argentina voltará a ser rentável’’.

mockup